Apuí (AM) – Em meio a um dos momentos mais críticos da história recente, com centenas de famílias afetadas pela cheia do Rio Madeira e o município oficialmente em estado de emergência, a Prefeitura de Apuí, sob gestão do prefeito Marcos Maciel, firmou contratos que totalizam R$ 514 mil para a contratação de artistas na 36ª Exposição Agropecuária de Apuí (Expoap), prevista para ocorrer entre julho e setembro de 2025.
Os extratos de inexigibilidade de licitação, publicados no Diário Oficial do Município na última quinta-feira (11/07), revelam que os recursos foram destinados à contratação de cinco atrações musicais. O maior cachê será pago à dupla Cleber & Cauan, no valor de R$ 295 mil. Também foram contratados Wanderley Andrade (R$ 70 mil), Joaninha (R$ 63 mil), Ayala & Júlio César (R$ 50 mil) e Marcos Brasil Filho (R$ 36 mil).
Os contratos, com vigência até setembro de 2025, foram firmados pela Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento com base no artigo 74 da Lei 14.133/2021, que dispensa licitação para contratação de artistas consagrados. Os valores serão pagos com recursos de receitas não vinculadas, ou seja, oriundas da arrecadação de impostos.
Crise humanitária em curso
A divulgação dos contratos ocorre em um contexto de grave crise no município. Apuí está entre os 40 municípios do Amazonas em situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil estadual, devido à cheia dos rios que já afetou mais de 530 mil pessoas em todo o estado.
Na cidade, moradores enfrentam alagamentos, perdas de bens, dificuldades de acesso a alimentos e interrupções na rotina de comunidades rurais. O investimento elevado em festividades contrasta com a necessidade urgente de assistência humanitária, como envio de cestas básicas, água potável e apoio à reconstrução de áreas afetadas.
Silêncio da prefeitura
A reportagem procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura de Apuí para comentar a decisão de manter os gastos com as apresentações artísticas em meio à crise, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
A situação em Apuí reforça o debate sobre a prioridade na destinação de recursos públicos em tempos de calamidade, especialmente em regiões que sofrem com a recorrência de eventos climáticos extremos e infraestrutura precária.











