Manaus (AM) – O caso da morte do psicólogo Manoel Guedes Brandão Neto, 40 anos, ganhou contornos ainda mais sombrios na noite desta segunda-feira (21), com a prisão de Adenilson Medeiros, 18 anos, conhecido no submundo do crime como “Bisteca”. Ele foi detido por policiais da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) nas proximidades do local onde o corpo da vítima foi encontrado, na Avenida Lourenço Braga, região central da capital.
A prisão não foi tranquila. Antes mesmo da chegada dos policiais, “Bisteca” foi identificado por populares, que o cercaram e tentaram linchá-lo. A cena, carregada de tensão, reforçou o clima de revolta em torno do assassinato de Manoel, encontrado morto em um terreno abandonado atrás da antiga penitenciária, a poucos metros de sua casa.
Mas o enredo se complica: um segundo suspeito, conhecido apenas como “Loirinho”, havia sido preso ainda pela manhã. Ambos negam envolvimento direto no homicídio, e iniciaram um jogo de empurra que desafia os investigadores da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Quem acendeu o alerta foi Catarine Silva, irmã da vítima, que apontou “Bisteca” como peça-chave no mistério. Segundo ela, foi o próprio Adenilson quem indicou o local onde o corpo de Manoel estava jogado. “Ele dizia que não sabia de nada, mas já tinha me mostrado o lugar. Ele e o ‘Loirinho’ ficaram ali o tempo todo, observando a movimentação, como se estivessem assistindo a cena do próprio crime que cometeram”, desabafou Catarine.
Cena do crime choca pela brutalidade
Manoel foi encontrado seminu, com sinais evidentes de espancamento e estrangulamento. Seus pertences, como o celular, tênis e carteira, foram levados. Segundo o laudo do IML, a morte foi causada por agressão física e asfixia mecânica.
O quebra-cabeça começa na madrugada de domingo (20). Manoel saiu de casa para uma festa na vizinhança. Às 3h30, trocou mensagens com a irmã. Às 6h30, ela ainda tentou convencê-lo a voltar. “Ele disse que estava bem, que logo voltava pra casa. Depois disso, o celular dele ficou desligado. Foi a última vez que falei com meu irmão”, contou Catarine, emocionada.
Agora, com os dois suspeitos detidos e trocando acusações, a DEHS concentra esforços para descobrir quem, de fato, assassinou Manoel Guedes — e por quê. Enquanto isso, a família da vítima espera por justiça em meio a uma rede de versões contraditórias, silêncio suspeito e rastros de um crime que ainda guarda muitas perguntas sem resposta.











