Rio Negro recua 36 cm em 48 horas e nível atinge 21,26 metros em Manaus

Acelerada da vazante coloca 34 municípios do AM em alerta, afeta logística do PIM e encarece fretes na Região Metropolitana.

Manaus (AM) – A estiagem no Amazonas ganhou ritmo acelerado com o rio Negro registrando uma queda contínua de 36 centímetros em apenas 48 horas na capital. Na régua do Porto de Manaus, o nível assinalou a cota de 21,26 metros, após recuar 18 centímetros em 24 horas. O volume acumulado já representa uma retração de 2,65 metros em relação ao início do mês.

A marca atual é a terceira menor registrada para um 18 de setembro desde 2021, ficando acima apenas das secas históricas de 2023 (19,36 m) e 2024 (15,53 m). Embora esteja 5,73 metros acima da cota do mesmo período no ano do recorde histórico de seca, a velocidade de descida diária (18 cm/dia) supera o ritmo observado nos anos de 2021, 2022 e 2025.

Histórico de Cotas do Rio Negro (18 de Setembro)
2021: 24,67 metros (queda de 15 cm/dia)

2022: 24,03 metros (queda de 17 cm/dia)

2023: 19,36 metros (queda de 32 cm/dia)

2024: 15,53 metros (queda de 24 cm/dia)

2025: 24,67 metros (queda de 14 cm/dia)

2026: 21,26 metros (queda de 18 cm/dia)

Atualmente, o Rio Negro está 3,41 metros abaixo do nível registrado nesta mesma data no ano passado.

Interior em Alerta e Impactos na Bacia Amazônica
A rápida diminuição das calhas d’água colocou 34 municípios do Amazonas sob restrições operacionais (categorias de atenção, alerta e emergência), isolando comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas que dependem exclusivamente do transporte fluvial.

O cenário crítico se repete em outros eixos estratégicos. Em Itacoatiara, o Rio Amazonas baixou para 7,60 metros, servindo como ponto estratégico de transbordo de cargas para o Polo Industrial de Manaus (PIM); Em Tabatinga, no Alto Solimões, estabilizou em 2,34 metros, mas sem garantias de recuperação imediata; o rio Madeira recuou para 3,53 metros, impactando diretamente o escoamento no sul do estado.

Reflexos na Economia e na Indústria
A perda de calado dos rios encarece o transporte de combustível, insumos básicos e medicamentos, além de reacender discussões entre empresários sobre a cobrança da “taxa da seca” no frete de contêineres destinados à capital.

Apesar de a marca atual estar 9,15 metros acima da mínima histórica de 12,11 metros (registrada em 9 de outubro de 2024), a combinação entre chuvas abaixo da média e a velocidade da descida mantém os órgãos de monitoramento em alerta máximo no estado.

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