Rodoviários ameaçam paralisar até 70% da frota de ônibus de Manaus a partir de segunda-feira (9)

Categoria aprovou mobilização caso os salários não sejam pagos até sábado (7); ameaça de greve ocorre em meio ao impasse entre Governo do Amazonas e Sinetram sobre os repasses do Passe Livre Estudantil.

Manaus (AM) – Os usuários do transporte coletivo de Manaus poderão enfrentar dificuldades a partir da próxima segunda-feira (9/11). Os rodoviários ameaçam paralisar de 50% a 70% da frota de ônibus por tempo indeterminado, caso os salários da categoria não sejam pagos até este sábado (7/11). A paralisação está prevista para começar à 0h01 de segunda-feira.

A mobilização envolve motoristas e cobradores e foi aprovada em assembleia realizada na quarta-feira (4/11). O anúncio foi feito pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir de Oliveira Silva, que reconheceu que o prazo para pagamento dos salários ainda não terminou.

Segundo Givancir, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) deverá se manifestar oficialmente sobre a situação em uma coletiva prevista para sábado. Apesar disso, o sindicalista afirmou ter recebido informações de que os pagamentos não serão realizados e disse que a categoria decidiu se antecipar.

“Infelizmente, a gente pede desculpa à sociedade. Não tínhamos essa intenção de prejudicar Manaus, mas não dá para trabalhar sem receber”, declarou.

Caso a paralisação seja confirmada, a redução da frota poderá afetar milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo na capital.

Impasse sobre o Passe Livre Estudantil

A ameaça de greve ocorre em meio à crise entre o Governo do Amazonas e o Sinetram, que também envolve a suspensão da liberação de novos créditos do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual.

O governador Roberto Cidade afirmou que o Estado está em dia com os repasses referentes a 2026. Segundo ele, o pagamento mais recente foi realizado em 23 de outubro, no valor de R$ 3 milhões. Ao todo, o governo afirma ter transferido R$ 27 milhões neste ano para custear o benefício.

A divergência envolve principalmente os valores cobrados pelas empresas referentes ao segundo semestre de 2025. O Governo do Amazonas questiona judicialmente os montantes apresentados pelo Sinetram e aponta falta de transparência nos cálculos e na quantidade de passagens efetivamente utilizadas pelos estudantes.

Cidade criticou a suspensão dos novos créditos e defendeu que os estudantes não sejam prejudicados por uma disputa financeira entre o Estado e as empresas de transporte.

O impasse entre as partes mantém a preocupação de estudantes e usuários do transporte público, que agora também enfrentam a possibilidade de uma redução significativa da frota de ônibus na capital.

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