Romero Britto segue surpreendendo. Na autobiografia “A Arte da Felicidade”, publicada pela Citadel Editora, o artista reúne lembranças da infância no Recife até o reconhecimento internacional ajudaram a transformar seu nome em uma marca de alcance internacional.
Antes das telas coloridas que ganharam o mundo, Romero Britto precisou enfrentar uma infância marcada pela escassez. Nascido no Recife, o artista revisita os momentos de dificuldade e assim revela episódios em que a falta de comida chegou a afetar sua rotina escolar.
Mulher quebra a oba mais cara de Romero Britto
Em uma das lembranças mais duras, Britto conta por exemplo que chegou a desmaiar na escola por não ter se alimentado. A busca por comida também fazia parte da rotina familiar. Isso porque, ainda criança, ele acompanhava a mãe e os irmãos em pescarias na praia para ajudar a garantir o sustento da casa.
Foi nesse cenário que o interesse pela arte logo começou a ganhar espaço. Aos 14 anos, o artista vendeu o primeiro trabalho para a Organização dos Estados Americanos (OEA). Três anos depois, ingressou na faculdade de Direito. Mas decidiu interromper o caminho acadêmico para passar uma temporada na Europa. Lá, buscou novas referências culturais bem como artísticas.
Da Europa a Miami, uma nova fase
Nos anos 1980, Romero Britto se mudou para Miami, nos Estados Unidos, com poucos recursos. Instalado em um apartamento, logo improvisou o próprio ateliê na sala e passou a desenvolver a linguagem visual que, mais tarde, se tornaria sua marca registrada e o projetaria internacionalmente.
Romero Britto já foi enredo de escola de samba
A autobiografia também recupera episódios de uma carreira que colocou o pernambucano ao lado de grandes marcas e personalidades. Entre as histórias estão a participação em uma campanha da Absolut com Andy Warhol e Keith Haring e trabalhos ligados a empresas como Disney, Coca-Cola, Pepsi e IBM.
Britto ainda relembra encontros marcantes, como o que teve com Muhammad Ali dentro de um elevador de hotel, além da amizade com Michael Jackson. Em 1992, criou o Happy Art Movement, conceito que passou a integrar sua trajetória artística.
Artista revisita episódio que repercutiu nas redes
A obra também aborda momentos controversos da carreira. Entre eles está o episódio envolvendo a destruição deliberada de uma obra sua pela proprietária de um restaurante, diante de funcionários e outras pessoas. O caso foi registrado em vídeo e ganhou ampla repercussão na internet.
Romero Britto pintou quadro em homenagem a Bolsonaro
“Refiro-me à quebra deliberada de uma obra minha pela proprietária de um restaurante, na presença de meus funcionários e de um público diverso. Foi um ato de desrespeito inédito em minha carreira. Minha reação, registrada no vídeo que circulou amplamente na web, foi de puro espanto, choque e incredulidade: uma resposta humana à falta de civilidade e à irresponsabilidade do gesto”, escreveu Britto em “A arte da felicidade”.
Da pintura vendida por US$ 50 a obras milionárias
Além das memórias pessoais, o livro apresenta principalmente decisões que marcaram a construção da carreira de Britto como artista e empresário. O autor relata mudanças de estratégia e escolhas que ajudaram a transformar seu nome em uma marca de alcance internacional.
Comforme as informações apresentadas na autobiografia, o ecossistema de negócios ligado às suas marcas movimenta cerca de US$ 250 milhões por ano, considerando obras de arte, produtos licenciados e itens próprios. Ao mesmo tempo, Britto mantém produtos autorais abaixo de US$ 100, enquanto algumas de suas obras alcançam valores milionários.
A diferença entre os extremos aparece também em uma lembrança do início da carreira. Quando ainda buscava espaço em Miami, o artista vendia pinturas pelas ruas por cerca de US$ 50 para conseguir se manter. Anos depois, uma obra pertencente à mesma série chegou a ser negociada por US$ 1,5 milhão.
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Mais do que reunir episódios da carreira, “A arte da felicidade” percorre uma trajetória marcada por pobreza, mudanças, reconhecimento internacional, encontros com celebridades e momentos controversos. Ao revisitar esse caminho, Romero Britto procura mostrar como a arte, o empreendedorismo e a própria visão de mundo ajudaram a construir a identidade que hoje acompanha seu nome.
Fonte: O Fuxico









