Manaus (AM) – O início do ano legislativo de 2026 na Câmara Municipal de Manaus (CMM) trouxe de volta um nome polêmico às atas de presença: o vereador Rosinaldo Bual (Agir). Alvo da “Operação Face Oculta”, Bual retomou o exercício do mandato após o período de afastamento determinado pela Justiça, mantendo o recebimento de seu salário de R$ 26 mil, apesar das graves acusações que pesam contra ele.
O parlamentar é apontado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) como o líder de um esquema de corrupção dentro de seu próprio gabinete, envolvendo lavagem de dinheiro, uso de funcionários fantasmas e a prática de “rachadinha” (apropriação de parte do salário de assessores).
A permanência de Bual na Casa é fruto de uma decisão política de seus pares. Em novembro do ano passado, por 21 votos a 11, os vereadores rejeitaram a cassação do mandato, sob o argumento de que deve prevalecer a presunção de inocência até que haja uma condenação definitiva.
Atualmente, o vereador responde por uma extensa lista de crimes como peculato e concussão; associação criminosa e lavagem de dinheiro; agiotagem e posse irregular de arma de fogo.
A Polêmica da “Presença Virtual”
Um dos pontos de maior tensão é a forma como Bual tem registrado sua participação nas sessões. Em nota oficial, a CMM afirmou que o vereador não comparece fisicamente ao prédio, utilizando a modalidade virtual para marcar presença.
No entanto, a justificativa da Casa esbarra em questões regimentais como o modelo de sessões remotas foi oficialmente extinto em 2022, após requerimento da presidência da época, não havendo previsão legal atual para participação virtual em sessões deliberativas.
Informações de bastidores indicam que o vereador estaria indo à Câmara antes do horário de expediente apenas para realizar o reconhecimento facial via aplicativo e, em seguida, deixaria o local para evitar o contato com a imprensa e o público, não participando de fato dos debates.
Desgaste Institucional
Embora o Regimento Interno da CMM permita a perda de mandato por quebra de decoro parlamentar sem a necessidade de sentença judicial transitada em julgado, a manutenção de Bual no cargo evidencia um racha no parlamento. Enquanto a maioria defende a estabilidade do mandato, a oposição e setores da sociedade civil criticam o uso de recursos públicos para pagar o subsídio de um parlamentar monitorado por tornozeleira eletrônica.
O caso segue sob análise da Justiça, enquanto o MPAM aprofunda as investigações sobre a extensão dos desvios no gabinete do parlamentar.











