Manaus (AM) – Os usuários do transporte coletivo da capital amazonense voltam a enfrentar graves dificuldades na manhã desta quarta-feira (22/7). Pelo terceiro dia consecutivo, a greve dos rodoviários segue por tempo indeterminado e o sistema de ônibus opera com frota reduzida em toda a cidade, conforme liminar estipulada pela Justiça do Trabalho. A categoria afirma que os ônibus só voltarão a circular 100% após a confirmação do depósito dos salários atrasados nas contas dos trabalhadores.
Para tentar conter o caos e amenizar o impacto para a população, a decisão judicial determinou limites mínimos de operação: nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h), a circulação deve ser de 80% da frota. Nos demais horários, o percentual cai para 50%. Na prática, no entanto, passageiros em todas as zonas de Manaus relatam terminais lotados, atrasos extensos nas paradas e ônibus trafegando com superlotamento.
Horários de pico (6h às 9h/17h às 20h) com 80% dos ônibus em circulação e entre-picos e período noturno, com 50% da frota operacional.
Impasse nos Pagamentos e Repasse do Estado
A manutenção da paralisação ocorre mesmo após o Governo do Amazonas ter anunciado, na terça-feira (21), a autorização para a transferência imediata de R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), valor referente ao custeio do programa Passe Livre Estudantil.
O vice-governador Serafim Corrêa esclareceu que o convênio tripartite com a Prefeitura de Manaus encerrou-se em 2025 e que, desde o início de 2026, a relação de repasse do subsídio passou a ser direta entre o Executivo estadual e as empresas de ônibus.
“O convênio foi encerrado em 2025. Em 2026, o pagamento do subsídio é uma relação direta entre Governo do Estado e Sinetram, sem intermediação da Prefeitura”, pontuou o vice-governador.
Apesar do anúncio do aporte financeiro por parte do Estado, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus decidiu manter o movimento paredista por constatar que o dinheiro ainda não foi convertido no pagamento dos vencimentos da categoria nas contas bancárias dos rodoviários.
Sinetram alega rombo de R$ 90 milhões
Por outro lado, o Sinetram sustenta que as empresas concessionárias do sistema vivem um asfixiamento financeiro grave, provocado por um atraso histórico nos repasses da gratuidade estudantil pelo poder público.
De acordo com o sindicato patronal, a dívida acumulada do Passe Livre Estudantil já alcança o patamar de aproximadamente R$ 90 milhões, valor que, segundo as empresas, comprometeu o fluxo de caixa do sistema e inviabilizou a quitação dos compromissos trabalhistas com motoristas e cobradores dentro do prazo legal.










