Manaus (AM) – O cenário político do Partido dos Trabalhadores (PT) no Amazonas ganha contornos definidos com a reeleição do deputado estadual Sinésio Campos para a presidência do diretório estadual e do sindicalista Valdemir Santana para a presidência do diretório municipal em Manaus. A informação foi confirmada com base nos votos já apurados do interior e da capital.
Esta é a terceira vez consecutiva que Sinésio Campos e Valdemir Santana assumem o comando do partido no Amazonas e em Manaus, respectivamente, mantendo uma aliança política que remonta a 2013. A eleição deste ano foi decidida ainda no primeiro turno, com ampla vantagem para a chapa liderada por eles.
Os presidentes dos diretórios exercem um papel estratégico crucial na estrutura do partido, sendo responsáveis por coordenar campanhas eleitorais, articular alianças com outras siglas e gerir a distribuição dos recursos do fundo partidário e eleitoral.
Segundo Robson de Bastos, mesmo com os votos de Manaus ainda não oficialmente divulgados, os resultados do interior, que somam cerca de 21 mil filiados, já garantem a reeleição de Sinésio. A divulgação dos dados completos da capital será feita após a apuração total.
Na disputa pela presidência estadual, Sinésio Campos liderou com uma ampla margem entre os sete concorrentes:
- Sinésio Campos – 7.192 votos
- José Ricardo – 1.358
- Luiz Borges – 800
- João Pedro – 648
- José Barroncas – 323
- Arivan Reis – 260
- Hebert Amazonas – 46
Para a presidência municipal em Manaus, Valdemir Santana enfrentou outros quatro candidatos: Anne Moura, Zaqueu Souza, Miguel e Moisés Aragão, e também garantiu a vitória.
As eleições do PT ocorreram no domingo (6/7), das 9h às 17h, em todo o país. No Amazonas, o processo eleitoral abrangeu todos os municípios, incluindo a escolha de presidentes zonais em Manaus, além dos representantes dos diretórios nacional, estadual e municipal.
Tanto Sinésio quanto Santana são identificados com a ala pragmática do PT no Amazonas, e as reeleições reafirmam o controle do grupo sobre a legenda no estado. Eles vêm defendendo estratégias de amplas alianças políticas com o objetivo de fortalecer o partido para as eleições de 2026, antecipando movimentos importantes na organização partidária para os próximos anos.
Eleição após polêmicas
A reeleição de Sinésio Campos acontece após um período de turbulência. Em outubro de 2024, o deputado foi temporariamente afastado da liderança do PT devido à apreensão de R$ 20 mil em espécie com uma assessora dele, durante um voo com destino a Benjamin Constant em período eleitoral.
Outra polêmica surgiu em dezembro de 2024, com a deflagração da Operação Expurgare da Polícia Federal, que teve como um dos alvos sua filha, Dionísia Soares Campos, então superintendente de Agricultura e Pecuária do Amazonas. A investigação apontou a existência de um esquema criminoso de grilagem de terras, exploração ilegal de madeira e fraudes na geração de créditos de carbono, resultando inclusive na exoneração do diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente. Apesar desses desafios, Sinésio e Santana consolidam suas posições de liderança dentro do partido.











