Manaus (AM) – Diante das temperaturas extremas registradas no Amazonas e da precariedade da climatização em diversas unidades de ensino, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) encaminhou ao Governo do Estado um pedido de redução temporária do turno vespertino nas escolas da rede estadual.
A solicitação foi encaminhada ao governador Roberto Cidade e à Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) após o sindicato voltar a receber denúncias de professores e demais trabalhadores sobre salas excessivamente quentes, aparelhos de ar-condicionado com problemas ou insuficientes e ambientes escolares sem condições adequadas de permanência.
Em Manaus, a temperatura chegou a 37,6°C no dia 1º de setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), superando os 37,3°C registrados no dia anterior. O cenário de calor intenso aumenta a preocupação com a permanência de trabalhadores e estudantes durante várias horas no período da tarde.
Para o Sinteam, a situação exige uma resposta emergencial do poder público, especialmente porque o próprio Governo do Amazonas reconheceu oficialmente a existência de uma emergência climática e ambiental no Estado.
“O próprio Governo reconhece que o calor extremo representa um risco para estudantes e professores e que a Seduc tem responsabilidade na proteção da comunidade escolar. O que estamos cobrando é que esse reconhecimento saia do papel e se transforme em medidas concretas dentro das escolas”, afirma a presidenta do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues.
O Decreto nº 54.274, de 1º de junho de 2026, que declarou o estado de emergência climática e ambiental no Amazonas, determina, em seu artigo 11, que compete à Seduc desenvolver ações de orientação, conscientização e preparação da comunidade escolar para os riscos decorrentes de eventos climáticos extremos, além de adotar medidas voltadas à proteção da saúde, da segurança e da continuidade das atividades educacionais.
Saúde de estudantes e trabalhadores em risco
A preocupação do Sindicato também encontra respaldo em documento produzido pelos próprios órgãos estaduais de saúde.
A Nota Técnica Conjunta nº 23/2026/SES-AM/FVS-RCP, publicada em agosto, trata especificamente dos riscos à saúde relacionados ao calor extremo e às ondas de calor no Amazonas.
O documento aponta que altas temperaturas em ambientes não climatizados podem causar estresse térmico em creches, escolas e universidades, afetando crianças, adolescentes, jovens e seus professores, além de prejudicar o ambiente educacional e a saúde de grupos vulneráveis, com destaque para as crianças.
A nota técnica também relaciona o calor extremo a problemas como desidratação, exaustão térmica, tontura, fadiga e dificuldades de concentração. O documento recomenda, entre outras medidas, ajustes no ambiente de trabalho e estudo diante dos efeitos do calor.
Denúncias mostram agravamento da situação
O Sinteam vem recebendo relatos de trabalhadores de diferentes unidades da rede estadual. Na Escola Estadual Dídimo Soares, em Manicoré, trabalhadores relatam problemas em diversos aparelhos de ar-condicionado e afirmam que a sala dos professores está em condições extremamente inadequadas devido ao calor.
Na Escola Estadual Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, no bairro Alvorada, em Manaus, trabalhadores relatam que os aparelhos de ar-condicionado são antigos e não estão conseguindo garantir condições adequadas de climatização. A unidade também possui uma quadra esportiva descoberta, utilizada pelos estudantes nas aulas de Educação Física, o que expõe alunos e profissionais ao calor durante a realização de atividades físicas.
Segundo o Sinteam, os relatos demonstram que o problema não se restringe às escolas que não possuem aparelhos de ar-condicionado.
“Estamos recebendo denúncias de escolas onde os aparelhos existem, mas não dão conta. São equipamentos antigos, com problemas ou insuficientes para as condições atuais. E há ambientes, como salas de professores e quadras esportivas, em que a situação é ainda mais preocupante”, afirma Ana Cristina.
Sindicato já acionou órgãos de controle
O Sinteam já encaminhou denúncias e representações ao Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) e Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) sobre problemas de infraestrutura e climatização da rede estadual.
Para o sindicato, entretanto, a elevação das temperaturas torna necessária a adoção de medidas imediatas enquanto as soluções estruturais não são implementadas.
Por isso, além da redução temporária do período vespertino, o Sinteam solicita ao Governo do Estado a realização de um levantamento emergencial das condições de climatização das escolas, incluindo a verificação dos aparelhos, aferição de temperatura e umidade nos ambientes, identificação das unidades em situação mais crítica e adoção de medidas de mitigação.
O sindicato também pede que atividades físicas sejam reorganizadas ou suspensas temporariamente em espaços descobertos durante os períodos de maior exposição ao calor.
Medida preventiva
O Sinteam ressalta que a proposta de redução do turno vespertino é temporária e preventiva e não substitui a obrigação do Estado de resolver definitivamente os problemas de climatização e infraestrutura das escolas e aguarda manifestação do Governo do Estado e da Seduc sobre o pedido e defende que sejam estabelecidos critérios objetivos para situações de calor extremo, considerando as condições efetivamente verificadas em cada unidade escolar e os alertas dos órgãos oficiais.










