Teatro de rua leva Ajuricaba às ruas do centro de Manaus em espetáculo inédito

Ajuricaba-Me estreia no dia 31 de agosto e propõe um encontro entre memória, território e a cidade contemporânea.

Manaus (AM) – Na próxima segunda-feira (31/8), às 15h, as ruas do Centro de Manaus serão transformadas em espaço de teatro e memória com a estreia de Ajuricaba-Me, novo espetáculo do Processo Natimorto. A apresentação acontece em formato de teatro de rua, partindo da parada de ônibus em frente ao Colégio Militar e seguindo em percurso até a Praça da Matriz.

Inspirado na figura histórica de Ajuricaba, liderança dos Manaú que enfrentou a colonização portuguesa na região amazônica no século XVIII, o espetáculo investiga questões relacionadas à liberdade, território, coletividade e relação com a vida. A criação propõe um encontro entre a história do território amazônico e a Manaus contemporânea, utilizando a própria cidade como espaço de investigação, criação e apresentação.

Ajuricaba-Me é a terceira obra de uma trilogia teatral desenvolvida pelo Processo Natimorto desde 2018. A pesquisa teve início com Tartufo-Me, a partir da obra de Molière, e seguiu em 2025 com Hamlet-Me, inspirado na obra de William Shakespeare. Agora, com Ajuricaba-Me, a pesquisa volta-se para uma figura histórica amazônica e para as relações entre corpo, território, memória e coletividade.

Para o idealizador Dimas Mendonça, a trilogia acompanha diferentes estados da experiência humana e, neste terceiro trabalho, busca um movimento de retorno ao corpo e à relação com o mundo.

“O Processo Natimorto chega a Ajuricaba-Me como a terceira etapa de uma pesquisa sobre diferentes estados da experiência humana. Em Tartufo-Me, partimos da máscara, da aparência e da superficialidade. Em Hamlet-Me, atravessamos a dúvida, o medo, o questionamento e a sensação de imobilidade. Com Ajuricaba-Me, buscamos um movimento de superação desses estados: voltar ao centro, ao corpo e à relação com o mundo.”

A escolha de Ajuricaba também estabelece uma relação direta entre a criação artística e o território onde o espetáculo será apresentado. A obra é inspirada na peça A Paixão de Ajuricaba, do escritor e dramaturgo amazonense Márcio Souza, referência fundamental para o processo de criação.

“Ajuricaba é, ao mesmo tempo, uma figura ligada à história do território onde vivemos e um símbolo de resistência. Sua trajetória nos coloca diante de questões como liberdade, território, coletividade e respeito à vida”, afirma Dimas.

Para o idealizador, levar o espetáculo para o Centro de Manaus amplia essa relação entre arte, história e cidade. “Levar Ajuricaba-Me para as ruas do Centro de Manaus é tornar esse encontro concreto: tirar Ajuricaba dos livros, dos nomes de ruas e de uma memória distante e colocá-lo novamente em contato com a cidade e com as pessoas.”

Mais do que construir uma narrativa biográfica sobre Ajuricaba, o espetáculo procura investigar o que sua presença pode provocar no presente. A cidade aparece não apenas como cenário, mas como parte da própria experiência teatral: o percurso pelas ruas aproxima a obra das pessoas e dos lugares onde diferentes camadas da história de Manaus permanecem presentes.

“É perguntar, através do teatro, se depois da máscara, da dúvida e do medo é possível reencontrar o centro e reconhecer que fazemos parte de tudo aquilo que nos cerca”, conclui Dimas.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *