Manaus (AM) – O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), por meio da 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, iniciou nesta terça-feira (9/12) o julgamento de Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira, réus no processo desmembrado da ação principal referente ao chamado “Massacre do Compaj”. A rebelião, ocorrida em 1.º de janeiro de 2017, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, resultou na morte de 56 detentos e ganhou repercussão nacional e internacional.
Os dois acusados respondem por uma série de crimes graves: homicídio qualificado (56 vezes), por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas; vilipêndio de cadáver (46 vezes), pelos atos de esquartejamento e decapitação; tortura (26 vezes), praticada antes das mortes; além de organização criminosa, em razão da suposta atuação estruturada dentro de uma facção.
O julgamento ocorre sob a condução de um colegiado de magistrados. O Ministério Público do Amazonas designou três promotores de Justiça para atuar no caso, dada a complexidade e gravidade dos fatos.
Preso, Anderson Silva do Nascimento foi apresentado no Fórum Ministro Henoch Reis. Já Geymison Marques de Oliveira, que responde em liberdade provisória, não compareceu presencialmente. A defesa solicitou sua participação por videoconferência, pedido que foi aceito pelo Colegiado.
A previsão inicial é de ouvir 15 testemunhas, número que poderá ser ajustado conforme as estratégias da acusação e da defesa.
A sessão teve início às 10h30. Após deliberação, os magistrados determinaram segredo de justiça, o que levou ao esvaziamento do plenário. O julgamento deve se estender por pelo menos três dias. Nesta terça-feira, os trabalhos estão previstos para serem suspensos entre 17h e 19h, sendo retomados na manhã de quarta-feira.
Este é o primeiro dos 22 processos relacionados ao “Massacre do Compaj” que serão apreciados pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri. Os demais 21 julgamentos estão programados para ocorrer ao longo de 2026.











