Um mês após naufrágio no Encontro das Águas, cinco pessoas seguem desaparecidas e comandante foragido

Tragédia com embarcação que saiu de Manaus mobilizou grande operação de buscas; investigações apuram responsabilidades e circunstâncias do acidente
Foto: Reprodução

Manaus (AM) – Um mês após o naufrágio da lancha de passageiros ocorrido na região do Encontro das Águas, em Manaus, a tragédia ainda deixa marcas profundas para familiares das vítimas. Cinco pessoas continuam desaparecidas, enquanto o comandante da embarcação permanece foragido da Justiça.

O acidente aconteceu no dia 13 de fevereiro, quando a lancha Lima de Abreu XV saiu da capital amazonense com destino ao município de Nova Olinda do Norte. Cerca de 80 pessoas estavam a bordo. Ao todo, 71 passageiros foram resgatados com vida, três mortes foram confirmadas e outras cinco pessoas nunca foram localizadas. 

Entre as vítimas fatais está o cantor gospel Fernando Grandêz, além de uma criança de três anos e uma jovem de 22 anos. 

Buscas intensas e operação complexa

Desde o dia do acidente, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas realizam uma força-tarefa para localizar as vítimas desaparecidas. A operação mobilizou mergulhadores, embarcações, drones, helicóptero e equipamentos de sonar para varredura do fundo do rio. 

As buscas se tornaram especialmente difíceis devido às características da região onde ocorreu o acidente. No Encontro das Águas, a confluência entre os rios Rio Negro e Rio Solimões gera correntes fortes e grande profundidade, fatores que dificultam o trabalho de mergulho e de localização da embarcação. 

As equipes chegaram a percorrer centenas de quilômetros rio abaixo, já que as correntes podem arrastar vítimas e destroços por longas distâncias.

Embarcação ainda não foi retirada

As autoridades identificaram uma área onde a lancha pode estar submersa, a cerca de 50 metros de profundidade, mas a retirada do casco é considerada uma operação complexa devido à força da corrente e às condições do leito do rio. 

A Marinha do Brasil também atua na ocorrência, auxiliando nas buscas e conduzindo investigação sobre as circunstâncias do naufrágio.

Comandante foragido

O comandante da embarcação, Pedro José da Silva Gama, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Amazonas poucos dias após o acidente. Ele havia sido preso em flagrante, mas foi liberado após pagamento de fiança e não foi localizado desde então, sendo considerado foragido. 

O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas, por meio da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros, que apura possíveis responsabilidades pelo acidente. Relatos de sobreviventes indicam que a embarcação navegava em alta velocidade e teria enfrentado forte banzeiro pouco antes de afundar. 

Consequências e investigações

Além da investigação criminal, o naufrágio também deve resultar em apurações administrativas sobre segurança da navegação e condições da embarcação. Especialistas apontam que o caso reacendeu o debate sobre fiscalização de barcos de transporte de passageiros na região amazônica, onde rios funcionam como principais vias de deslocamento entre municípios.

Para as famílias das vítimas desaparecidas, porém, a principal expectativa continua sendo a mesma desde o dia da tragédia: encontrar respostas — e, se possível, localizar os entes queridos levados pelas águas.

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