Vereadores de Barcelos reprovam contas do ex-Prefeito Édson Mendes e ampliam risco de inelegibilidade

Foto: Divulgação

Barcelos (AM) – A onda de reprovações de contas de ex-gestores municipais tem se espalhado pelo interior do Amazonas, acendendo o alerta entre políticos que pretendem retornar à vida pública. Em Barcelos, a Câmara Municipal rejeitou nesta segunda-feira (10) as contas do ex-prefeito Edson Mendes, referentes ao exercício de 2017, por 9 votos a 2. O parecer técnico apontou ausência de documentos comprobatórios de despesas e falhas graves na execução orçamentária durante o primeiro mandato do ex-gestor.

Com a decisão, Mendes passa a correr o risco de inelegibilidade por até oito anos, conforme estabelece a Lei da Ficha Limpa, caso o parecer seja mantido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM)e pela Justiça Eleitoral. A medida pode comprometer seus planos políticos, já que o ex-prefeito vinha sendo apontado como potencial candidato nas próximas eleições municipais.

Durante a sessão, apenas os vereadores Jair Gomes e Eduardo Militão votaram contra a reprovação. A maioria dos parlamentares defendeu o voto como uma ação necessária para reforçar a transparência e o controle do uso dos recursos públicos, sobretudo após denúncias recorrentes de má gestão em administrações passadas.

O caso de Barcelos soma-se a uma série de decisões semelhantes em municípios do interior do Amazonas, onde o Legislativo local tem endurecido a fiscalização sobre ex-prefeitos. Em várias cidades, antigas gestões são alvo de questionamentos por falta de prestação de contas, obras inacabadas e contratos sem comprovação de execução.

A reprovação das contas de Edson Mendes evidencia um novo movimento político no interior: vereadores pressionados por uma população mais vigilante e conectada às redes sociais têm demonstrado menor tolerância a falhas na administração pública.

Para analistas políticos, a decisão da Câmara de Barcelos é simbólica. “O recado é claro: os tempos de impunidade estão acabando. Hoje, qualquer ex-gestor que não respeite a lei de responsabilidade fiscal pode ter seu futuro político comprometido”, avalia um especialista ouvido pela reportagem.

Enquanto aguarda os desdobramentos judiciais, o ex-prefeito tenta reverter o impacto político da decisão — que pode representar o fim precoce de uma trajetória marcada por denúncias, controvérsias e baixa transparência nas contas públicas.

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