Coari (AM) — A menos de três semanas do primeiro turno das eleições, Coari voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal. A Operação Dinastia do Lago, deflagrada nesta quarta-feira (16), apura suspeitas de um esquema envolvendo contratos públicos, desvio de recursos, corrupção e lavagem de dinheiro na administração municipal. A ação ganhou peso político porque acontece 18 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, colocando novamente a cidade no noticiário policial e político do Amazonas.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari e afastou agentes públicos investigados, incluído o Prefeito Adail Pinheiro. A operação busca reunir documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos capazes de esclarecer como os recursos públicos teriam sido movimentados e quem seriam os possíveis beneficiários.
Uma mala com R$ 1,25 milhão no início da investigação
A origem da operação remonta a maio de 2025, quando a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo com três empresários do Amazonas no Aeroporto Internacional de Brasília. A partir daquela apreensão, os investigadores passaram a rastrear a origem do dinheiro, as relações empresariais dos envolvidos e possíveis conexões com contratos públicos.
Segundo a investigação, a análise de documentos, movimentações financeiras e dispositivos eletrônicos indicou possíveis vínculos entre empresários e agentes públicos. Uma das linhas investigadas é a de que empresas teriam sido utilizadas para simular concorrência em processos licitatórios e direcionar contratos públicos. É justamente a partir dessas conexões que a investigação chegou à administração de Coari.
A operação coloca novamente Coari diante de uma investigação de grande repercussão envolvendo dinheiro público e agentes da administração municipal. O município, conhecido pela importância econômica da exploração de petróleo e gás na região, já esteve em outros momentos no centro de casos envolvendo gestões municipais e suspeitas de irregularidades.
Agora, a PF tenta descobrir se houve uma estrutura organizada para fraudar contratos, movimentar recursos e beneficiar determinados grupos empresariais. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Operação chega ao meio político em período eleitoral
A deflagração ocorre em um momento particularmente delicado para a política local, 18 dias antes da votação do primeiro turno. Até o momento, não há, nas informações divulgadas sobre a operação, indicação de que a ação tenha sido deflagrada por causa da eleição ou com objetivo eleitoral e a Polícia Federal ainda deve analisar o material apreendido durante a operação para identificar a extensão do suposto esquema, os valores eventualmente desviados e a participação individual de cada investigado.
O afastamento determinado pelo STF também impede, neste momento, que o Prefeito Adail Pinheiro, e os outros agentes públicos alcançados pela decisão, permaneçam no exercício das funções enquanto as medidas judiciais estiverem vigentes e as investigações seguem em andamento.











