Manaus (AM) – O que parecia ser um roteiro de suspense era, na verdade, uma estratégia criminosa real. Um ator e dramaturgo amazonense de 54 anos foi preso pela Polícia Civil, na quinta-feira (9/4), sob a acusação de liderar um sofisticado esquema de estelionato e falsidade ideológica. A operação, coordenada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), também resultou na prisão de uma mulher de 34 anos, apontada como cúmplice na fraude que movimentou cerca de R$ 1 milhão.
Figura conhecida no cenário cultural de Manaus, o ator utilizava sua influência e capacidade de persuasão para atrair investidores. O golpe consistia na promessa de compra de euros com cotações abaixo do valor de mercado. Segundo o delegado Cícero Túlio, titular do 1º DIP, os suspeitos afirmavam pertencer a um grupo seleto de investidores com acesso a condições vantajosas de câmbio.
As vítimas, atraídas pela promessa de lucro rápido, chegavam a transferir quantias astronômicas. Em um dos casos registrados, uma vítima entregou 50 mil dólares aos investigados na esperança de reinvestimento — valor que jamais retornou.
A “atuação” final: o falso sequestro
O ponto mais surpreendente da investigação revela que o suspeito usou seu talento dramático para dar continuidade à extorsão. Quando as vítimas começavam a cobrar o retorno do dinheiro, o ator enviava vídeos simulando que havia sido sequestrado por agiotas.
“O vídeo do suposto sequestro foi gravado pelo próprio suspeito e encaminhado às vítimas para pressioná-las a enviar mais dinheiro, sob o pretexto de pagar um resgate inexistente”, explicou o delegado. Toda a encenação, com ameaças e desespero fake, foi desmascarada pela perícia técnica.
Ostentação e Bloqueio de Bens
Enquanto as vítimas acumulavam prejuízos, a comparsa do ator ostentava um padrão de vida luxuoso, incompatível com sua renda declarada. Durante a operação, a Justiça do Amazonas determinou o bloqueio imediato de contas bancárias e ativos financeiros da dupla.
Os dois acusados passaram por exames de corpo de delito e foram encaminhados para audiência de custódia. Eles responderão pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. A Polícia Civil acredita que, com a divulgação do caso, novas vítimas devem aparecer para registrar denúncias no 1º DIP.











