Manaus (AM) – O combate às queimadas e aos incêndios florestais no Amazonas virou arena de uma guerra de versões entre o Governo do Estado e a União. O impasse opõe o comando do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) quanto aos pedidos de socorro aéreo para conter o avanço do fogo no interior.
A controvérsia escalou após o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, vir a público afirmar que a União negou um pedido oficial formalizado em 18 de setembro de 2026, no qual o Estado solicitava quatro aeronaves de combate a incêndio, um avião de transporte tático e viaturas.
Em contrapartida, o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, e a cúpula do MMA rebateram as declarações, alegando que disponibilizaram combatentes e um helicóptero em 23 de setembro e que não haveria pedidos pendentes.
Provas Documentais e Tréplica Federal
Diante do desmentido do Ibama, o coronel Orleilso Muniz publicou os documentos oficiais nas redes sociais para comprovar a recusa federal ao pleito do estado, rebatendo ilações sobre conotação política na denúncia. “Não seria irresponsável ou leviano de falar algo que não tivesse base na legalidade. Jamais pautei minha conduta por movimentos políticos de qualquer natureza”, assegurou o comandante do CBMAM.
Para rebater a pressão, o superintendente Joel Araújo anunciou a chegada emergencial de quatro aviões Air Tractor a Manaus neste sábado (10/10). Araújo pontuou ainda que o Governo Federal repassou R$ 45 milhões ao Estado via Fundo Amazônia (Projeto ProAmazon) para a estruturação do Corpo de Bombeiros contra queimadas.

Manaus Sufoca com Pico de Poluição
Enquanto as instâncias públicas trocam acusações sobre burocracia e cronologia de documentos, a população da Região Metropolitana de Manaus padece com o agravamento do ar.
Alertas da Defesa Civil confirmaram que a concentração de material particulado fino ($MP_{2.5}$) atingiu a marca crítica de 196,4 µg/m³ na capital — patamar considerado extremamente prejudicial à saúde respiratória e cardiovascular de crianças, idosos e portadores de comorbidades.










