ManausUma onda de choque e estarrecimento tomou conta das autoridades policiais de Manaus diante dos detalhes de um dos crimes mais brutais registrados recentemente na capital. Aurora Naomi La Fey, uma mulher trans de 27 anos, foi presa pela Polícia Civil do Amazonas acusada de cometer atos de extrema crueldade, tortura física e violência sexual contra o próprio padrasto, um idoso de 61 anos de nacionalidade alemã. O caso ocorreu em um apartamento no bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul.
Em coletiva de imprensa, o titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), delegado Cícero Túlio, detalhou a barbárie cometida contra a vítima, que foi submetida a mutilações estarrecedoras e precisou passar por cirurgias de emergência.
De acordo com as investigações, a motivação do crime está ligada a uma profunda mágoa nutrida pela investigada ao longo dos últimos cinco anos. Em depoimento, a suspeita revelou que guardava um forte ressentimento pelo fato de o padrasto nunca tê-la aceitado como mulher trans.
Na data do crime, após consumir maconha em uma forma potencializada que lhe provocou efeitos alucinógenos, a mulher invadiu o imóvel da vítima e aguardou a sua chegada para iniciar o ataque.
Luta corporal, mutilação facial e indícios de canibalismo
O ataque começou com uma violenta luta corporal no apartamento. Descontrolada, a investigada usou as próprias mãos para arrancar os dois globos oculares do idoso e passou a morder com ferocidade o seu rosto. Durante a agressão, ela arrancou e mastigou as orelhas da vítima. Como as partes das orelhas não foram encontradas durante as perícias no local, a Polícia Civil trabalha com a forte hipótese de que foram ingeridas pela agressora.
Ainda segundo os levantamentos policiais, após perder a consciência devido à dor extrema e aos sangramentos, o idoso foi vítima de violência sexual.
Ao recobrar os sentidos e perceber que havia perdido totalmente a visão, o homem rastejou em pânico até a sacada do apartamento em busca de socorro. Sem enxergar, ele acabou caindo de uma altura correspondente ao terceiro andar do imóvel.
A vítima só conseguiu revelar a identidade da agressora à família e à polícia após ser resgatada e passar por procedimentos cirúrgicos complexos.

Investigação e negação parcial
Em interrogatório, a investigada admitiu ter atacado o idoso e relatou lembrar-se apenas do momento em que mordia a face da vítima, alegando surto e esquecimento em relação ao restante dos atos. Ela negou ter cometido a violência sexual. No entanto, o delegado Cícero Túlio ressaltou que os elementos colhidos no inquérito e nos exames periciais preliminares confirmam o abuso.
A Polícia Civil do Amazonas aguarda a conclusão dos laudos definitivos para encerrar o caso. O idoso permanece internado em estado grave, cego e sem as duas orelhas, enquanto a agressora segue à disposição do Poder Judiciário.











