VÍDEO: Dívida trabalhista de R$ 74 mil motivou idoso a atear fogo em fábrica de estofados em Manaus

Júlio César Campos, 70, afirmou que “perdeu o equilíbrio” pela falta de pagamento, mas garante que crime não teria ocorrido se dívida fosse quitada; prejuízo é total.

Manaus (AM) – A prisão de Júlio César Campos, 70, na noite desta quarta-feira (21/01), trouxe à tona um drama trabalhista por trás do incêndio que destruiu uma fábrica de estofados no bairro São Francisco, zona Sul de Manaus. Em depoimento à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o idoso confessou ter ateado fogo no local como uma forma desesperada de revide contra uma dívida de R$ 74 mil que o proprietário teria com ele, acumulada ao longo de nove anos de trabalho.

“Se tivesse recebido, isso não teria acontecido”
Diferente da postura de negação comum em prisões, Júlio César foi enfático ao justificar sua conduta. O idoso relatou que dedicou quase uma década de sua vida à empresa e que a recusa do ex-patrão em pagar o que lhe era devido causou uma revolta incontrolável.

Apesar de ter afirmado inicialmente que “faria tudo de novo”, o suspeito ponderou durante os procedimentos policiais que acabou “perdendo o equilíbrio” diante da situação financeira crítica. Para ele, o incêndio foi a única linguagem que restou após anos de tentativas frustradas de receber seus direitos.

“Se eu tivesse recebido meus pagamentos, isso jamais teria acontecido. Foi o resultado de nove anos de espera”, afirmou o idoso aos investigadores.

Câmeras registraram ação
O ataque, ocorrido na manhã de terça-feira (20), foi meticulosamente registrado pelo sistema de monitoramento interno da fábrica. As imagens mostram Júlio entrando no galpão às 7h24 portando um recipiente com líquido inflamável.

Ele espalhou o combustível sobre espumas, tecidos e madeiras, materiais altamente inflamáveis, e iniciou o fogo. Em poucos segundos, o ambiente foi tomado pelas chamas, e o idoso foge do local. O incêndio resultou em perda total de estoque e maquinário, além de comprometer a estrutura do prédio.

Risco à Comunidade e Resgate
A ação de vingança quase se tornou uma tragédia de grandes proporções para os moradores da Rua Tito Bittencourt. O Corpo de Bombeiros (CBMAM) mobilizou oito viaturas e 20 militares; e 40 mil litros de água para evitar que o fogo passasse para as casas vizinhas.

Embora o galpão tenha sido destruído, ninguém ficou ferido fisicamente. Contudo, o trauma para a vizinhança e o prejuízo econômico são imensuráveis.

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