Alvarães (AM) – Mais de 200 passageiros viveram cerca de três horas de pânico e violência nas mãos de piratas do rio na noite da última quinta-feira (10/9), no trecho do Rio Solimões próximo ao município de Alvarães (a 531 quilômetros de Manaus). O ferry boat Rosa de Saron, que realizava sua viagem inaugural no percurso de Japurá para a capital amazonense, foi abordado por um bando de cerca de dez homens fortemente armados com fuzis.
A ação criminosa teve início por volta das 22h20, quando os assaltantes emparelharam duas lanchas rápidas de grande porte junto à embarcação. O grupo rendeu a tripulação e espalhou o terror no barco até por volta de 1h de sexta-feira (11/9), efetuando disparos de arma de fogo para intimidar as vítimas, arrombando suítes, destruindo compartimentos do frigorífico e revistando a estrutura do ferry boat sob a suspeita de transporte de entorpecentes.
Durante o assalto, os criminosos agiram com extrema violência física e psicológica. Uma mulher integrante da tripulação foi submetida a sessões de tortura com choques elétricos aplicados pelos assaltantes para que revelasse a localização de supostos valores e cofres. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde da vítima.
O grupo promoveu um arrastão generalizado, subtraindo joias, dinheiro em espécie, telefones celulares, notebooks e bagagens dos passageiros. Para isolar a embarcação e impedir pedidos de socorro via rádio ou redes sociais em tempo real, os bandidos roubaram a antena do sistema Starlink que fornecia sinal de internet ao ferry boat.
Perícia na Base Arpão
Após a fuga dos piratas nas lanchas rápidas tomando rumo ignorado na calha do Solimões, o Rosa de Saron conseguiu navegar até a Base Fluvial Arpão, estrutura de segurança pública ancorada no Médio Solimões. No local, a embarcação passou por perícia do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e inspeção das forças policiais.
A embarcação havia deixado o município de Japurá na quarta-feira (9/9), fez escala em Maraã na quinta-feira e tinha previsão inicial de atracar em Manaus na manhã deste sábado (12/9). O caso está sob investigação da Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM), que tenta identificar a quadrilha atuante no trecho fluvial.












