Manaus (AM) – A operação de busca pelos sete desaparecidos no naufrágio da lancha Lima de Abreu XV entrou no quarto dia nesta segunda-feira (16/2) com um reforço tecnológico sem precedentes. Após percorrerem uma extensão de mais de 10 quilômetros rio abaixo, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) concentra agora os esforços no uso de sonares subaquáticos de última geração, enviados pelo governo de São Paulo, para tentar localizar o casco da embarcação e as vítimas.
O cenário no Encontro das Águas, contudo, é de extrema hostilidade técnica. Segundo o comandante-geral do CBMAM, Coronel Orleilso Muniz, a força-tarefa luta contra fenômenos naturais que tornam o mergulho perigoso e incerto.
Os Desafios do Rio e a Tecnologia
A operação conta com a expertise de 25 mergulhadores amazonenses e o apoio de cinco militares do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar-SP). O foco está no uso de três tipos de sonares com dois aparelhos mapeiam o relevo subaquático para identificar fendas ou depressões onde a lancha possa ter sido arrastada; e um sonar específico busca grandes massas metálicas (como o motor da lancha) em áreas de visibilidade zero.
As equipes enfrentam a diferença de densidade entre os rios Negro e Solimões, que gera fortes correntes de arrasto e redemoinhos capazes de deslocar objetos pesados rapidamente. No domingo (15), chuvas torrenciais chegaram a paralisar os trabalhos por falta de segurança.
Suporte Humanitário
Para dar mais conforto e centralizar as informações, o posto de atendimento aos familiares foi transferido nesta segunda-feira para o Porto Privatizado de Manaus (Roadway). O local funciona das 8h às 18h com uma equipe multidisciplinar.
“Nós ofertamos o atendimento com assistentes sociais e psicólogos para poder orientar essas famílias que vivem momentos de profunda angústia”, destacou a secretária adjunta da Seas, Selma Melo.
Balanço da Tragédia
Apesar dos esforços heróicos, que incluíram o resgate de um bebê protegido dentro de um cooler e relatos de mães que entregaram seus próprios coletes para salvar os filhos antes de desaparecerem, os números oficiais da tragédia até esta manhã são sete desaparecidos, incluindo o musicista Fernando Grandêz e membros da família de sobreviventes; dois mortos confirmados: Samyla de Souza, 3 anos, e Lara Bianca, 22; 72 sobreviventes resgatados, dos quais cinco adultos que estavam internados já receberam alta.
A prefeitura de Nova Olinda do Norte e o Governo do Estado seguem em mobilização total. Enquanto a Marinha do Brasil e a Polícia Civil investigam as causas, com o comandante da lancha respondendo em liberdade após pagar fiança, a prioridade absoluta permanece sendo o resgate dos desaparecidos.











