Apontada como uma das grandes favoritas ao título do Carnaval 2026, a Unidos de Vila Isabel entra na Avenida nesta terça-feira, 17 de fevereiro, como a segunda escola da noite. A agremiação aposta no enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”. Trata-se de uma proposta que une arte, memória e acima de tudo a identidade negra a partir da trajetória de Heitor dos Prazeres.
O sambista, compositor e pintor surge como fio condutor de uma narrativa que, antes de mais nada, reconecta a Vila à própria história. Além disso, o tema marca um reposicionamento simbólico da escola, especialmente após a polêmica de 2025 envolvendo o então carnavalesco Paulo Barros, que criticou o que chamou de “excesso” de enredos afros. A repercussão foi intensa, e a Vila respondeu com escolhas que reforçam o vínculo com a cultura negra carioca.
Enredo mergulha na África e na Pequena África do Rio
A escola leva para o desfile uma África que vive no samba, nos terreiros e nos quintais da cidade. Assim, territórios como a Pequena África, a Pedra do Sal e a casa de Tia Ciata aparecem como símbolos centrais dessa travessia cultural.
A história começa com o som do tambor, elemento que desperta o morro, enfeita a rua e chama o povo para a festa. Foi nesse ambiente que Heitor dos Prazeres cresceu, entre cantos, rezas, sambas e macumbas. Desde cedo, ele observou pastoras, ranchos e rodas que misturavam fé e alegria.
Mais tarde, transformou essas lembranças em música e cor. Heitor dizia que sonhava acordado, e desses sonhos nasceram composições, pinturas e personagens que atravessaram gerações. Na casa de Tia Ciata, ele encontrou uma escola viva. Ali, o samba fervia junto com a religiosidade afro-brasileira, e a rua também virava terreiro.
Mudança artística reforça nova fase da escola
Além do enredo, a Vila Isabel também renovou sua equipe para 2026. A escola contratou Gabriel Haddad e Leonardo Bora, dupla reconhecida por narrativas ligadas às culturas negras e responsável pelo desfile histórico sobre Exu na Grande Rio em 2022.
Heitor aparece como símbolo dessa celebração. Elegante, conhecido como Mano Heitor do Cavaco, ele cruzou a cidade compondo, formando parcerias e ajudando a construir o Carnaval como se conhece hoje. Ao mesmo tempo, pintou bailes, festas, trabalhadores e crianças, sempre com o povo no centro.
No universo carnavalesco, ele também brilhou com criações marcantes, como o Pierrô Apaixonado. Seu talento ultrapassou fronteiras, levou o samba e a arte popular para exposições e palcos internacionais, sem perder o orgulho das raízes.
Agora, a Vila Isabel transforma essa trajetória em desfile e convida o público a sonhar junto, ao som do tambor e das muitas Áfricas que vivem dentro do samba.
Fonte: O Fuxico











