A prisão de Deolane Bezerra ganhou um novo capítulo. O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva protocolou notícias de fato em diferentes órgãos para pedir uma apuração independente dos processos que, segundo ele, resultaram na prisão da advogada e influenciadora.
Os pedidos seguira para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e às corregedorias do Ministério Público e da Justiça.
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A iniciativa surgiu após o advogado publicar no Instagram uma série de 17 vídeos intitulada “InPrudente”. Neles, Cebola e Silva reúne o que classifica como possíveis falhas e irregularidades em cinco processos analisados ao longo de dez anos.
Segundo o advogado, os casos envolveriam as mesmas autoridades em diferentes etapas. Ele cita um promotor, juízes e um coordenador de presídios, além de relações públicas entre alguns dos envolvidos.
Advogado aponta supostas inconsistências nos processos
Entre os episódios apresentados na série, Cebola e Silva cita um processo no qual um casal teria recebido denuncia em novembro de 2021 com base em um celular que, segundo ele, somente apreendido 21 dias depois.
O aparelho teria passado por perícia oficial apenas em março de 2022. Em outro caso, uma apreensão registrada inicialmente com 6,48 gramas de entorpecentes teria aparecido posteriormente nos documentos como seis quilos.
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Conforme o advogado, a diferença teria influenciado a narrativa utilizada para fundamentar a prisão de uma mulher condenada a nove anos.
Ele também afirma ter identificado páginas que desapareceram de um processo digital e depois reapareceram após questionamentos feitos durante uma audiência.
Além disso, Cebola e Silva relata situações envolvendo provas encontradas em celas depois de revistas sucessivas. Algumas dessas ações, segundo ele, teriam ocorrido sem a presença dos detentos.
Nome de Deolane teria surgido posteriormente nos autos
Um dos principais pontos levantados pelo advogado envolve o momento em que o nome de Deolane Bezerra aparece nos processos analisados.
Segundo Cebola e Silva, a influenciadora não aparece citada nos cinco processos durante boa parte da tramitação. O nome dela teria surgido pela primeira vez em uma audiência realizada em janeiro de 2023.
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Na ocasião, conforme o relato, o próprio promotor teria questionado uma ré sobre depósitos feitos para uma advogada chamada Deolane Bezerra. Diante da negativa, ainda segundo o advogado, houve uma oferta de delação premiada, recusada pela mulher.
Cinco meses depois, em junho de 2023, o nome de Deolane teria aparecido nas alegações finais do processo relacionado ao casal e ao celular questionado. O trecho citado pelo advogado registra: “Pagamento em nome de Deolane Bezerra Santos (advogada)”.
Cebola e Silva sustenta que a palavra “advogada” não aparecia nas provas originais e apareceria incorporada ao texto na sequência.
De acordo com ele, Deolane não recebeu intimação para explicar ao longo de aproximadamente quatro anos de investigação. A denúncia, de acordo com o advogado, só acabou apresentada em junho de 2026, depois de 33 pedidos de prorrogação de prazo.
Prisão preventiva também questionada
Outro ponto levantado diz respeito ao intervalo entre os fatos atribuídos a Deolane e o pedido de prisão.
Segundo Cebola e Silva, os fatos investigados ocorreram em agosto e outubro de 2020, enquanto a prisão só teve solicitação em 2026.
Para o advogado, a distância temporal levanta questionamentos sobre a contemporaneidade necessária para justificar uma prisão preventiva.
Carro de Deolane apreendido
Ele também cita o relatório policial final e afirma que o documento utilizaria repetidamente a expressão “em tese” ao descrever as condutas atribuídas à advogada.
Ainda segundo sua interpretação, o próprio relatório indicaria a necessidade de novas diligências para encontrar dados capazes de reforçar a ligação de Deolane com os crimes investigados.
Bloqueio de R$ 27 milhões entra na mira
O advogado também contesta o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões relacionado ao caso. Na avaliação apresentada por Cebola e Silva, o montante teria sido calculado a partir da soma de entradas e saídas das contas, o que faria o mesmo dinheiro aparecer duas vezes.
Ele afirma que os créditos reais seriam de cerca de R$ 13 milhões. Depois da aplicação de filtros financeiros, o valor cairia para aproximadamente R$ 7,6 milhões, segundo os cálculos apresentados nos vídeos.
Ainda de acordo com o advogado, os depósitos diretamente relacionados a Deolane seriam seis operações de R$ 24,5 mil.
Leilão de carros também sob questionamento
A série ainda aborda um pedido de leilão antecipado de veículos apreendidos no caso.
Conforme Cebola e Silva, o pedido teria sido formalizado em agosto de 2026, antes de qualquer condenação. Entre as medidas mencionadas estão o leilão dos carros de Deolane, a transferência de valores bloqueados e a utilização de dois veículos pela Polícia Civil em atividades investigativas.
O advogado afirma ainda que o Ministério Público teria pedido a ampliação das investigações para familiares de Deolane, incluindo o filho, a mãe e as irmãs, com base nos mesmos relatórios financeiros contestados por ele.
Ao protocolar as notícias de fato, Cebola e Silva afirma que não pretende apontar previamente culpados ou pedir punições específicas.
A intenção, segundo ele, é permitir que os órgãos competentes façam uma análise independente dos procedimentos.
“Se está tudo certo, a apuração confirma e está tudo bem. Se não está, quantas pessoas foram presas por provas que ninguém examinou?”, declarou o advogado.
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As alegações apresentadas por Cebola e Silva ainda dependem de análise dos órgãos aos quais os pedidos foram encaminhados. As autoridades e agentes citados nas acusações poderão se manifestar no curso das apurações.
A investigação que envolve Deolane segue em andamento, e a validade das provas e das medidas adotadas no caso deverá ser analisada pelas instâncias competentes.
Fonte: O Fuxico









