Manaus (AM) – O Aeroclube do Amazonas quebrou o silêncio e divulgou, na tarde deste sábado (21/3), uma nota oficial detalhando as circunstâncias do trágico acidente ocorrido no Aeródromo de Flores, na zona Centro-Sul de Manaus. Segundo a instituição, a queda da aeronave de instrução, um modelo Cessna 152 (C152), aconteceu durante um procedimento padrão de treinamento, resultando na morte de um de seus diretores mais experientes.
De acordo com o comunicado, a aeronave realizava uma manobra conhecida no meio aeronáutico como “toque e arremetida” (quando o avião toca a pista e decola imediatamente em seguida, sem parar totalmente). O procedimento é fundamental para o adestramento de alunos em pousos e decolagens.
A aeronave estava a uma altitude crítica de aproximadamente 30 metros quando apresentou perda súbita de sustentação. Sem altura suficiente para uma recuperação de emergência, o monomotor colidiu contra o solo na lateral da pista, sofrendo danos estruturais severos.
Perfil das Vítimas
O Aeroclube confirmou a identidade dos ocupantes e prestou homenagem ao profissional vitimado. O instrutor Fernando Lúcio Moreira dos Santos Filho, 40, era uma das referências da instituição. Com seis anos de atuação no Aeródromo de Flores, Fernando acumulava mais de 1.500 horas de voo, sendo 400 delas dedicadas exclusivamente ao modelo C152. Além de instrutor, ele ocupava os cargos de diretor do Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) e coordenador de instrução. Ele morreu no local do impacto.
O aluno Ulisses Oliveira foi resgatado com vida pelas equipes de emergência e encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio. Seu estado de saúde ainda inspira cuidados intensivos devido à natureza do impacto.
Assistência e Investigação
A diretoria do Aeroclube informou que mobilizou equipes para prestar suporte psicológico e assistência integral às famílias de Fernando e Ulisses. “É um momento de profunda dor para toda a comunidade aeronáutica do Amazonas”, destacou a nota.
As autoridades aeronáuticas, incluindo o Seripa VII (órgão regional do Cenipa), já foram notificadas e assumiram o controle da investigação técnica. O objetivo é determinar se a perda de altitude foi causada por falha súbita de motor durante a arremetida; possível instabilidade aerodinâmica na execução da manobra; ou rajadas de vento ou correntes descendentes no momento do toque.
O Aeródromo de Flores segue operando com restrições em virtude dos trabalhos de perícia que devem se estender pelas próximas horas.











