Alerta no Amazonas: Consumo de pacu está ligado a casos da ‘doença da urina preta’ em Itacoatiara

Boletim da FVS-RCP confirmou três casos de Doença de Haff em 2025; investigação aponta que vítimas apresentaram dores intensas e urina escura nove horas após ingerirem o pescado.

Manaus (AM) – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) acendeu um alerta para os consumidores de peixes de água doce. O novo Boletim Epidemiológico, divulgado na quinta-feira (29/1), revela que o consumo de pacu foi o elo comum entre todos os casos confirmados de Doença de Haff (uma forma de rabdomiólise) registrados no estado ao longo de 2025.

Embora o Amazonas tenha notificado nove casos de rabdomiólise no ano passado, três foram classificados tecnicamente como compatíveis com a Doença de Haff — todos concentrados no município de Itacoatiara.

A coordenadora do Cievs-AM, Roberta Danielli, detalhou que a investigação foi precisa ao identificar o vilão da vez:

Espécie: Em todos os casos confirmados, as vítimas relataram ter comido pacu.

Preparo: O peixe foi consumido nas formas frita ou assada.

Local: As ingestões ocorreram em ambiente domiciliar, envolvendo inclusive membros da mesma família.

Sintomas e o “Tempo de Resposta” do Corpo
A Doença de Haff é conhecida popularmente como “doença da urina preta” devido ao seu efeito devastador nos músculos, que libera uma proteína tóxica (mioglobina) na corrente sanguínea, sobrecarregando os rins.

De acordo com o boletim, os pacientes apresentaram um quadro clínico padrão:

Janela de tempo: Os sintomas surgiram, em média, nove horas após a refeição.

Sinais físicos: Dores musculares extremamente intensas, fraqueza súbita e escurecimento da urina.

Marcador laboratorial: Os exames apontaram que a enzima CPK (que indica lesão muscular) atingiu níveis alarmantes, com média de 6.400 µ/L — valor muito acima do normal.

Vigilância e Prevenção
A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, ressaltou que, apesar de o número de casos ser considerado baixo (apenas três em um ano), a gravidade da doença exige atenção, especialmente por envolver o pescado, base da alimentação amazonense.

“A vigilância ativa é norteadora para proteger a saúde da população e orientar medidas de prevenção”, afirmou Tatyana.

A FVS-RCP orienta que, ao sentir dores musculares intensas e notar a urina escura após o consumo de peixes como o pacu, a pessoa deve procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar o histórico alimentar para acelerar o diagnóstico.

Resumo do Boletim 2025
Notificações totais: 09 casos.

Confirmados (Haff): 03 casos (Itacoatiara).

Perfil: Moradores da zona urbana.

Pescado suspeito: Pacu.

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