Alunos sem merenda e ônibus quebrados: Mayra Dias escancara caos na educação do Amazonas

Deputada expõe escolas sem gás, estudantes empurrando ônibus atolado em Parintins e cobra contratos milionários da Seduc.

Manaus (AM) – A deputada estadual Mayra Dias (PSD) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), nesta terça-feira (8/9), para denunciar falhas graves no fornecimento de merenda escolar e no transporte de estudantes da rede estadual de ensino. A parlamentar destacou relatos de desabastecimento de gás de cozinha, irregularidade nas refeições e sucateamento de veículos em municípios do interior e na capital.

Segundo a deputada, as denúncias atingem unidades de ensino em Manicoré, Presidente Figueiredo, Manaus e Humaitá. No Centro de Mídias e Educação de Tempo Integral (CETI) de Humaitá, estudantes tiveram o horário de entrada alterado pela ausência do café da manhã. Mayra relembrou que questionou a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) sobre a mesma pauta em fevereiro e cobrou resolutividade diante dos expressivos valores contratuais repassados às empresas prestadoras.

“Se existem contratos milionários para garantir a alimentação dos nossos estudantes, por que ainda temos escola sem gás e aluno sem a alimentação que deveria estar garantida? Sete meses depois, estamos novamente falando do mesmo problema. Até quando? Os alunos não podem continuar enfrentando a falta de merenda nas escolas”, declarou a parlamentar.

Contratos sob questionamento
Durante o pronunciamento, a parlamentar citou o contrato nº 126/2020 da Seduc, voltado ao fornecimento de alimentação, que custou R$ 25,8 milhões aos cofres públicos e recebeu um aditivo de R$ 35,9 milhões.

A deputada também apontou irregularidades no transporte escolar fluvial e terrestre que atende as comunidades rurais de Buiuçu, Santo Antônio e Nossa Senhora Aparecida do Panauaru, cujos alunos frequentam a Escola Estadual do Caburi, em Parintins. Conforme os relatos apresentados, o ônibus utilizado na rota atola com frequência nas estradas ramais, obrigando estudantes e professores a empurrarem o veículo para prosseguir viagem.

Para apurar a destinação dos recursos, a parlamentar protocolou os Requerimentos nº 3.822/2026 e nº 3.819/2026 na Aleam. As matérias solicitam a vistoria imediata da frota de ônibus, a revisão das rotas rurais e pedidos de esclarecimentos sobre o contrato de transporte escolar de R$ 55,3 milhões, que sofreu aditivo de R$ 68,4 milhões. A Seduc foi notificada para prestar informações sobre a climatização das salas, abastecimento de gás e regularidade no envio dos alimentos.

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