Manaus (AM) – Uma mulher de 43 anos identificada como Francisca Rodrigues Ricardo dos Santos morreu no último sábado (2), após passar quase três semanas internada em estado grave no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, zona leste da capital. A vítima deu entrada na unidade com queimaduras severas provocadas por água quente, em um ato de violência que teria sido praticado pelo próprio companheiro.
O caso ocorreu no bairro Gilberto Mestrinho, no dia 13 de julho. Segundo as informações apuradas pela polícia, o agressor teria jogado água fervente contra Francisca durante uma discussão. A mulher, que era portadora de diabetes, teve o quadro de saúde agravado e não resistiu às lesões. O laudo médico aponta choque séptico e infecção cutânea como causas da morte.
O caso foi registrado no 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e as investigações seguem em andamento para responsabilizar o autor do crime. Até o momento, o nome do suspeito não foi divulgado.
Violência doméstica no Amazonas é crescente
Somente no primeiro semestre de 2025, o estado registrou seis feminicídios. Apesar da redução em relação ao mesmo período do ano anterior, os números ainda refletem um cenário crítico. Em 2024, o Amazonas encerrou o ano com 30 mulheres assassinadas em razão de gênero, o que colocou o estado entre os cinco com maior número de feminicídios no país.
Além dos assassinatos, o volume de denúncias de violência doméstica tem crescido. O canal Ligue 180 registrou mais de 16 mil atendimentos no Amazonas em 2024, com aumento de 17% em relação a 2023. A maioria das vítimas afirma sofrer agressões físicas e psicológicas dentro do próprio lar, quase sempre por parte de parceiros ou ex-companheiros.
Casos como o de Francisca demonstram como o ciclo de violência doméstica pode evoluir para crimes fatais. O alerta das autoridades é claro: a denúncia é o primeiro passo para evitar tragédias. O agressor precisa ser identificado e punido dentro dos rigores da lei, para que nenhuma outra mulher tenha o mesmo destino.












