Brasília (DF) – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa neste domingo (4) de uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), convocada para debater o cenário político na Venezuela após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
O encontro acontece em nível ministerial, por videoconferência, a partir das 14h (horário de Brasília), com participação do chanceler diretamente do Palácio Itamaraty. Embora estivesse em período de férias até a próxima segunda-feira (6), Mauro Vieira antecipou o retorno a Brasília diante da gravidade da situação.
Criada em 2010, no México, a Celac reúne 33 países da América Latina e do Caribe e tem como objetivo fortalecer a integração regional e a coordenação política, econômica e social entre os Estados-membros. Além da crise venezuelana, a pauta da reunião inclui temas como desarmamento nuclear, agricultura familiar, cultura, energia, meio ambiente e a busca por maior autonomia da região.
Após a ação militar norte-americana, o governo brasileiro convocou reuniões ministeriais de emergência para avaliar os impactos políticos e de segurança da operação, considerando especialmente a extensa fronteira de mais de 2 mil quilômetros entre Brasil e Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordenou os encontros de forma remota, já que cumpre recesso em uma base militar no Rio de Janeiro, com retorno previsto a Brasília na segunda-feira.
Participaram das reuniões ministros da Defesa, Casa Civil, Justiça e Segurança Pública, além de representantes da Secretaria de Comunicação Social, da Secretaria de Relações Institucionais, do Itamaraty e da embaixadora do Brasil em Caracas. Segundo o governo, não há registro de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques ocorridos durante a madrugada.
Ainda de acordo com o Ministério da Defesa, ao menos 100 brasileiros que estavam em viagem de turismo na Venezuela conseguiram deixar o país sem dificuldades ao longo do dia. O ministro José Múcio afirmou que, até o momento, não há movimentação anormal na fronteira, embora o lado venezuelano tenha determinado o fechamento da passagem nesta manhã. Do lado brasileiro, a fronteira permanece aberta e operando normalmente.
O Ministério da Justiça informou que monitora a situação e se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados.
Em manifestação nas redes sociais, o presidente Lula condenou duramente a ação militar dos Estados Unidos, classificando o ataque e a captura do presidente venezuelano como “inaceitáveis” e uma grave violação do direito internacional. Segundo ele, a ofensiva representa um precedente perigoso para a América Latina e ameaça a estabilidade regional.
Lula também defendeu uma resposta firme da comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, e reafirmou que o Brasil seguirá atuando em favor do diálogo, da cooperação e da preservação da América Latina e do Caribe como uma zona de paz.











