Manaus (AM) – Durante entrevista coletiva, hoje pela manhã, o Diretor do GAECO Promotor Publico Leonardo Tupinambá, revelou como operava o grupo criminoso que era liderado pelo Vereador Rosinaldo Bual (Agir).
A Operação Face Oculta, deflagrada nesta sexta-feira (3) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), trouxe à tona um dos maiores escândalos de corrupção da Câmara Municipal de Manaus (CMM). O vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso durante a ação, teve mais de R$ 2,5 milhões bloqueados em contas bancárias, além de R$ 370 mil em espécie e dois cheques que somam mais de R$ 600 mil apreendidos.
Segundo o MP-AM, três cofres foram encontrados em endereços ligados ao parlamentar — um no sítio, outro em seu gabinete e o terceiro em uma residência de familiar. Todos foram recolhidos após Bual se recusar a fornecer as senhas de acesso. A abertura foi realizada com uso de equipamentos especiais da polícia.
Durante a coletiva realizada nesta manhã, os promotores do Gaeco detalharam que o esquema criminoso envolvia mais de 50 assessores nomeados pelo parlamentar. Parte desses servidores era considerada “fantasma” e repassava parte dos salários para o vereador, configurando crimes de peculato, concussão e rachadinha. Além disso, as investigações apontam para práticas de lavagem de dinheiro, utilizadas para ocultar a origem ilícita dos valores.
Outro ponto que chamou atenção foi a apreensão de uma arma de fogo, tipo pistola .380, em nome de Rosinaldo Bual, cuja posse é investigada como uso irregular.
O MP-AM reforçou que o caso expõe uma organização criminosa estruturada dentro do Legislativo municipal, que não apenas desviava recursos públicos, mas também criava um sistema de poder paralelo, com forte impacto no erário.
“Estamos diante de uma operação que comprova como agentes públicos transformaram a máquina legislativa em fonte de enriquecimento ilícito. O esquema envolvia dezenas de assessores e movimentava cifras milionárias”, afirmou um dos promotores durante a coletiva.
Até o momento, o vereador, sua chefe de gabinete e uma segunda assessora permanecem presos preventivamente. A Justiça autorizou ainda a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos investigados, o que deve revelar novas movimentações suspeitas.
A operação cumpriu 19 mandados entre prisão e busca e apreensão em Manaus, e o MP-AM já adiantou que novas fases não estão descartadas.











