Manaus (AM) – O piloto da lancha “Lima Abreu XV”, Pedro José da Silva Gama, vai a Júri Popular pela tragédia do naufrágio ocorrido em fevereiro deste ano na região do Encontro das Águas, em Manaus. A decisão de pronúncia é do juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Na mesma sentença, o magistrado revogou a prisão preventiva do acusado, determinando que ele responda ao processo em liberdade sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Ao pronunciar o réu, o juiz reconheceu a materialidade dos crimes e os indícios de autoria, retirando as qualificadoras propostas pela acusação (motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa). Com isso, Pedro Gama responderá por três homicídios simples. Caberá ao Conselho de Sentença decidir se o condutor agiu com dolo eventual ou culpa consciente.
Ao revogar a prisão cautelar, o juízo fundamentou que a segregação preventiva não deve funcionar como antecipação de pena. Além do uso da tornozeleira eletrônica, Pedro Gama está proibido de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato com familiares das vítimas e testemunhas do caso.
Relembre o caso
O acidente ocorreu no dia 13 de fevereiro de 2026, por volta das 14h, no trecho próximo ao bairro Mauazinho. A lancha havia partido do Porto da Manaus Moderna com destino a Nova Olinda do Norte transportando cerca de 80 passageiros. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), o piloto conduzia a embarcação em alta velocidade enquanto disputava uma corrida (“racha”) com outro barco, ignorando os apelos dos ocupantes para reduzir a marcha diante da agitação dos rios.
Vítimas da tragédia no Encontro das Águas
Mortes confirmadas: O cantor Fernando Grandêz (39 anos), a criança Samila de Souza (3 anos) e a estudante de odontologia Lara Bianca Bezerra Lopes (22 anos).
Desaparecidos: A advogada Ana Carla Izel (40 anos), Apoliana Oliveira (36 anos), Patrícia Barroso da Silva (33 anos), Renato Alan Melo Basto (40 anos) e Romualdo Marcião de Almeida (80 anos).










