Manaus (AM) – A operação de resgate das vítimas do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV entrou em uma fase crítica de alta complexidade técnica. Neste domingo (15/02), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) expandiu a área de busca para além de 10 quilômetros rio abaixo, mas as características únicas do Encontro das Águas e o rigor do clima amazônico têm imposto severas dificuldades aos 25 mergulhadores e militares envolvidos.
O comandante-geral do CBMAM, Coronel Orleilso Muniz, detalhou que a operação não é apenas uma busca visual, mas um embate contra fenômenos naturais imprevisíveis que tornam o local um dos mais perigosos para mergulho no mundo.
A complexidade da missão reside nos “fatores hidrodinâmicos” da junção dos rios Negro e Solimões. A diferença de densidade entre as águas e as fortes correntes de arrasto criam redemoinhos subaquáticos que podem deslocar a embarcação e os corpos para fendas profundas no leito do rio.
Uma chuva torrencial na tarde deste domingo paralisou os trabalhos temporariamente, reduzindo a visibilidade a zero e colocando em risco a segurança dos mergulhadores.
Devido à dificuldade de detecção no fundo do rio, o Corpo de Bombeiros de São Paulo enviou cinco militares e três sonares subaquáticos. Dois desses equipamentos fazem a leitura do relevo do leito e um terceiro é específico para a detecção de metais, na tentativa de localizar o casco da lancha.

Apoio Terrestre e Aéreo
A força-tarefa é multidisciplinar. Enquanto mergulhadores arriscam-se nas profundezas, drones e um helicóptero realizam varreduras de superfície. Em terra, o suporte às famílias foi intensificado.
“Ofertamos atendimento com assistentes sociais e psicólogos para orientar essas famílias no Porto Privatizado de Manaus”, afirmou a secretária adjunta da Seas, Selma Melo. O posto funciona das 8h às 18h a partir desta segunda-feira (16/2).
Balanço das Operações
Até o momento, as estatísticas da tragédia permanecem inalteradas, mas a esperança de respostas motiva a continuidade dos trabalhos. Sete pessoas seguem desaparecidas; doi óbitos confirmados (identificados como Samyla de Souza, 3 anos, e Lara Bianca, 22); e 72 sobreviventes resgatados.
As buscas serão retomadas na manhã desta segunda-feira (16/02). A prioridade das equipes é utilizar os novos sonares para mapear pontos de retenção de metais no fundo do canal, onde a lancha pode ter ficado presa.












