Manaus (AM) – Um crime com características de execução pelo “tribunal do crime” chocou os moradores do bairro Colônia Oliveira Machado, na zona Sul de Manaus. O corpo de um homem identificado como Antunes, também conhecido pelo apelido de “Dere”, foi encontrado com sinais de violência e um bilhete manuscrito sobre o cadáver, detalhando os motivos da sentença de morte.
O bilhete deixado pelos executores aponta que a vítima colaborava com as forças policiais e teria traído membros de uma facção criminosa. No texto, escrito de forma direta, o homem admite (sob coação) que repassava informações e desviava entorpecentes:
“Eu Antunes ou Dere, morri porque jogava junto com o Lima e Lorinho, que jogava junto com os vermes – eu falava com os vermes – eu falava que tinha frete, pegava droga dos irmãos e arrochava ou dava e fita para os vermes. Arrocha e acabei assim dessa forma por eu fazer pilatragem com os outros. Carlos Mãozinha, te espero no inferno”, dizia a mensagem.
O termo “vermes” é frequentemente utilizado por organizações criminosas para se referir a policiais.
Vídeo de Confissão Forçada
Após a localização do corpo, um vídeo começou a circular em aplicativos de mensagens, mostrando os últimos momentos da vítima. Nas imagens, Antunes aparece com o pescoço amarrado a uma árvore, em um cenário de tortura psicológica, onde faz uma espécie de “confissão” sobre suas atividades.
No registro, ele relata que agia com comparsas para roubar drogas de outros traficantes e que teria ensinado táticas criminosas a terceiros. A gravação reforça a tese de que ele passou por um julgamento paralelo antes de ser morto.
Investigação
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) foi acionada e realizou a perícia técnica no local onde o corpo foi abandonado. A principal linha de investigação é que o homicídio tenha sido motivado por um acerto de contas interno entre membros de facções rivais ou purgação dentro do próprio grupo.
O corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML) para os exames de necropsia. Até o momento, nenhum suspeito da execução foi preso, mas a polícia utiliza o vídeo e os nomes citados no bilhete como pistas para identificar os responsáveis pelo crime.











