George Clooney e mais de 170 membros proeminentes da comunidade judaica de Hollywood manifestaram-se em defesa de Mark Ruffalo contra acusações de antissemitismo feitas pela Paramount.
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A polêmica surgiu depois que o ator apontou riscos antitruste relacionados à proposta de fusão entre o estúdio e a Warner Bros. Discovery, ao mesmo tempo em que questionava os vínculos comerciais da família Ellison [controladora da Paramount] com as forças armadas de Israel.
A origem do conflito entre Ruffalo e o estúdio
Há anos, Ruffalo é uma das vozes mais críticas da indústria em relação à ofensiva militar em Gaza, descrevendo a crise humanitária como um genocídio.
Nesse contexto, o ator divulgou um vídeo detalhando as relações comerciais entre a Oracle, fundada pelo bilionário Larry Ellison, e as forças armadas de Israel, bem como os vínculos financeiros do magnata com organizações alinhadas a Donald Trump.
Ruffalo associou esse financiamento à oferta de aquisição liderada pelo CEO da Paramount, David Ellison, alertando que a compra da Warner Bros. Discovery destruiria a pluralidade de vozes e concentraria a propriedade da mídia nas mãos de poucos.
Contra-acusações de antissemitismo
A Paramount rejeitou imediatamente as alegações, acusando o ator de Hulk de utilizar “estereótipos antissemitas” em meio a uma disputa comercial e afirmando que não toleraria preconceito contra qualquer grupo.
Em resposta, Ruffalo classificou as afirmações do estúdio como ultrajantes, desonestas e enganosas.
Ele esclareceu, em sua conta no X, que questionar contratos de tecnologia militar ou as ações do governo de Israel não equivale a julgar o povo judeu.
Pouco depois, o cineasta Kenneth Lonergan (“Manchester à Beira-Mar”) saiu em sua defesa, classificando os ataques da Paramount como cínicos e uma “mentira desprezível”.
Carta aberta de personalidades judaicas de Hollywood
Posteriormente, mais de 170 personalidades judaicas assinaram uma declaração pública rejeitando o uso do antissemitismo como arma contra aqueles que se manifestam sobre violações de direitos humanos.
Entre os que assinaram a carta estão os cineastas Joel Coen, Todd Haynes, James Schamus, Emma Seligman e Jane Schoenbrun,
Também Tony Kushner, Joaquin Phoenix, Hannah Einbinder e Ilana Glazer.
O documento ressalta que apontar conexões entre a situação em Gaza e a indústria de Hollywood está longe de ser um ato antissemita.
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Eles alertaram que a fusão eliminará milhares de empregos e sufocará a criatividade cinematográfica.
Além disso, eles observaram que 61% dos judeus americanos acreditam que Israel está cometendo crimes de guerra em Gaza, e 40% classificam essas ações como genocídio.
“Será que aqueles que acusam Mark Ruffalo de antissemitismo realmente acreditam que esses judeus americanos também são antissemitas?”, questionou o texto.
Clooney se pronuncia em Veneza
Enquanto isso, George Clooney comentou a polêmica durante o Festival de Cinema de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da obra.
O ator enfatizou o direito inalienável de discordar: “Acredito na liberdade de expressão, mesmo quando discordo totalmente do que está sendo dito”.
Clooney também questionou a viabilidade do negócio corporativo: “Não vejo como essa fusão poderia fazer sentido financeiro para quem está tentando concretizá-la”, disse.
“Preocupo-me quando grandes empresas se fundem, pois isso significa que muitas pessoas perderão seus empregos”.
Um negócio multibilionário sob escrutínio
Atualmente, a transação, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 561 bilhões), permanece suspensa.
Uma ação judicial antitruste liderada pela Califórnia e por outros onze estados está travando a conclusão formal do negócio, sob o argumento de que ele reduziria a concorrência nas salas de cinema e na TV paga.
Somando-se aos desafios corporativos, a Paramount corre contra o tempo: A partir de 1º de outubro, a empresa deverá pagar US$ 7 milhões aos acionistas da Warner por cada dia de atraso na conclusão do negócio.
Fonte: O Fuxico










