Greve dos rodoviários em Manaus causa transtornos à população; Ufam suspende atividades 

Manaus (AM) – A paralisação total do transporte público em Manaus pegou a população de surpresa nesta quinta-feira (11/9). Com 100% da frota de ônibus recolhida, milhares de usuários ficaram sem alternativa para se deslocar pela cidade.

Manaus (AM) – A paralisação total do transporte público em Manaus pegou a população de surpresa nesta quinta-feira (11/9). Com 100% da frota de ônibus recolhida, milhares de usuários ficaram sem alternativa para se deslocar pela cidade. Vídeos compartilhados em aplicativos de mensagem mostraram coletivos parados em várias garagens da capital.

A categoria reivindica o pagamento dos salários de agosto, que deveriam ter sido depositados no quinto dia útil, mas que, segundo os trabalhadores, seguem atrasados. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Josenildo Mossoró, afirmou que a paralisação só terminará quando houver uma solução definitiva.

“Enquanto o Sinetram, o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus não respeitarem a categoria, nós vamos parar”, declarou o sindicalista.

O impacto da greve foi imediato. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspendeu todas as atividades presenciais, e o trânsito da capital registrou congestionamentos em diversas zonas da cidade.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) atribuiu a situação ao atraso do Governo do Estado no repasse de verbas referentes ao custeio do transporte estudantil. A entidade disse que os valores foram depositados judicialmente, devolvidos ao Estado e agora aguardam liberação.

O Governo do Amazonas, por sua vez, negou qualquer responsabilidade pelo atraso, afirmando que a obrigação de pagar salários é exclusiva das empresas concessionárias e da Prefeitura de Manaus, que é o poder concedente. O Estado destacou ainda que sua relação com o sistema de transporte limita-se à aquisição de passes estudantis.

Por meio das redes sociais, o prefeito David Almeida afirmou que a Prefeitura de Manaus tem cumprido integralmente as responsabilidades no transporte público, inclusive com os pagamentos devidos à categoria. 

“Não aceitaremos que a população seja prejudicada por questões que não são de competência da gestão municipal”, disse David.

O debate em torno dos custos do transporte coletivo já se arrasta há meses. Em 2024, segundo dados divulgados pela Prefeitura, o sistema custou R$ 926 milhões, dos quais R$ 521,3 milhões foram cobertos com subsídios municipais. A arrecadação tarifária somou R$ 404,7 milhões. Já o Governo do Amazonas informou ter repassado R$ 360 milhões para o Passe Estudantil gratuito no mesmo período.

Enquanto o impasse persiste, a população segue sendo a principal prejudicada, enfrentando longas caminhadas, gastos extras com transporte alternativo e atrasos na rotina.

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