Brasília (DF) – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sinalizado a aliados que não pretende levar adiante, neste momento, qualquer proposta de anistia ampla ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou iniciativas que reduzam punições relacionadas aos atos golpistas — tema que tem sido chamado de “PL da Dosimetria”.
Segundo líderes parlamentares que têm conversado com Motta, o deputado avalia que o ambiente político está demasiadamente inflamado e que pautar esses projetos agora significaria “acirrar ainda mais os ânimos”. A orientação interna é aguardar um momento de maior estabilidade antes de retomar a discussão.
O relator da matéria, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), insiste em manter o texto restrito à revisão das penas, unificando os crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Caso esse formato avance, o PL deve apresentar um destaque para tentar incluir a anistia completa. A sigla acredita ter votos suficientes para aprovar essa mudança.
O tema havia perdido força no Congresso antes da decretação da prisão preventiva de Bolsonaro, mas voltou ao centro dos debates — embora encontre resistência.
Além da tensão política em torno do assunto, pesa também o desgaste na relação entre Motta e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Os dois não se falam há mais de uma semana, após um atrito envolvendo a votação do projeto antifacção. Sóstenes discordou da condução de um destaque sobre a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas.
Desde então, o líder do PL tem buscado encaminhar pautas da oposição diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluindo articulações contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).










