João Velho denuncia comentário sobre Rafael Mascarenhas

Rafael Mascarenhas e João Velho
Reprodução/ Instagram

A morte de Rafael Mascarenhas, irmão do ator João Velho, voltou ao centro de uma situação dolorosa para a família. Mais de 16 anos depois do atropelamento que tirou a vida do jovem, em 2010, João procurou a polícia para denunciar um comentário publicado no Instagram que exaltava Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo caso, e usava o episódio como provocação política.

Nesta sexta-feira, 23 de outubro, o ator publicou um vídeo nas redes sociais pedindo ajuda para obter informações que contribuam para a identificação formal do responsável pelo perfil. Na gravação, ele identifica o homem como Giovanni Cavalcanti de Albuquerque e solicita que pessoas que o conheçam colaborem com a investigação.

“Se vocês conhecem esse homem, por favor, me mandem alguma informação para a gente poder acelerar o processo da Justiça”, afirmou.

João também ressaltou que a solicitação não tem relação com preferências partidárias. “Tanto faz se é eleitor do Lula ou bolsonarista ou de direita, extrema-direita. Se vocês conhecem esse homem, por favor, me mandem alguma informação”, declarou.

Morte de Rafael x disputa política

A situação começou com uma mensagem deixada em uma publicação de João no Instagram, originalmente destinada à divulgação de seu trabalho artístico. No comentário, o autor mencionou Bussamra e fez referência a um possível atropelamento de pessoas de esquerda em uma futura eleição.

“Na próxima eleição teremos o Rafael Bussamra para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro.”

A publicação já estava no ar havia mais de duas semanas. Segundo o relato, o comentário foi apagado depois que o episódio ganhou repercussão.

Reprodução/ Instagram

Ator registra ocorrência e apresenta notícia-crime

João registrou um boletim de ocorrência em 21 de outubro e apresentou uma notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). O documento policial classifica o caso como ameaça e apologia de crime ou criminoso, enquanto a notícia-crime solicita a abertura de investigação para apurar a autoria e as circunstâncias da publicação.

A defesa também pediu que a Meta, empresa responsável pelo Instagram, forneça informações relacionadas ao perfil, incluindo dados cadastrais, telefone, endereços IP e registros de criação e acesso. O objetivo é auxiliar a identificação formal do responsável.

A notícia-crime, datada de 19 de outubro, foi assinada por João e pelos advogados Maíra Costa Fernandes, Ricardo Brajterman, Felipe Vogas e Guilherme Furniel. A defesa sustenta que a mensagem pode configurar, em tese, os crimes de ameaça e apologia de crime.

Em entrevista ao g1, Ricardo Brajterman classificou o comentário como cruel e afirmou que a família decidiu recorrer às autoridades por considerar que a mensagem ultrapassou os limites de uma discussão política.

“Essa mensagem foi muito cruel, muito sórdida, tocou num lugar muito sensível da família. Porque querer falar de política, discutir de forma educada, serena, equilibrada, é uma coisa. Agora, numa postagem que é para divulgar a arte, a pessoa trazer a morte trágica de um ente querido para destilar ódio e ameaças, isso foi muito cruel, ultrapassou o limite do razoável, do aceitável”, afirmou.

O advogado também defendeu que divergências políticas não justificam manifestações de violência. “Nenhuma disputa política ou esportiva justifica a agressão, o discurso de ódio, o discurso de violência. A liberdade de expressão não é absoluta”, disse.

‘Minha ferida mais aberta’, desabafa João

No vídeo, João contou que já havia recebido mensagens ofensivas na época da morte do irmão. Para o ator, o comentário recente voltou a atingir diretamente a dor da família.

“O senhor Giovanni Cavalcanti Albuquerque lança mão de um golpe baixo para destilar a fúria política dele. Ele quer pegar na minha ferida mais aberta, pegar na parte que mais me dói, que é a perda do meu irmão”, afirmou.

O ator também lembrou que a publicação original tratava de seu trabalho e não de política. Ao justificar a decisão de procurar as autoridades, mencionou a mãe, a atriz e apresentadora Cissa Guimarães, e o irmão Tomás.

“Meu irmão que morreu não está aqui para se defender. Só que eu estou, a minha mãe está viva, meu irmão Tomás está vivo, a gente está aqui vivo. E, portanto, nós fizemos uma notícia-crime e também fizemos um boletim de ocorrência para a polícia”, disse.

Relembre a morte de Rafael Mascarenhas

Rafael Mascarenhas tinha 18 anos quando foi atropelado, em 20 de julho de 2010, enquanto andava de skate com amigos no Túnel Acústico, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Rafael de Souza Bussamra, que dirigia o veículo, foi condenado por homicídio culposo e por não prestar socorro. O episódio marcou a vida de Cissa Guimarães e de toda a família.

Agora, a defesa de João busca reunir elementos para que as autoridades identifiquem formalmente o responsável pelo comentário e apurem se houve prática de crime. A investigação deverá determinar as circunstâncias da publicação e o eventual enquadramento jurídico da conduta.



Fonte: O Fuxico

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