A Justiça dos Estados Unidos suspendeu temporariamente, na segunda-feira, 20 de julho, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, em uma operação avaliada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões). A decisão representa um novo capítulo na disputa em torno de uma das maiores fusões da história da indústria do entretenimento.
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A medida partiu de uma juíza federal de Oakland, na Califórnia, que determinou a interrupção da transação até uma audiência marcada para 3 de agosto. Na ocasião, a Justiça decidirá se a suspensão continuará durante toda a tramitação da ação, processo que pode se estender por meses.
A ação foi apresentada por uma coalizão formada por 12 estados americanos, liderada pela Califórnia. As autoridades alegam que a união entre as duas empresas reduziria a concorrência no mercado de mídia e entretenimento, com impactos para consumidores, trabalhadores e para toda a cadeia audiovisual.
Segundo os procuradores-gerais, a fusão daria origem a um conglomerado capaz de elevar os preços de filmes, séries e programas de televisão, além de concentrar ainda mais o poder no setor.
Estados apontam risco à concorrência
Os estados também sustentam que, caso a aquisição seja concluída antes da decisão definitiva da Justiça, a Paramount poderá promover demissões, integrar equipes e compartilhar informações estratégicas com a Warner Bros. Discovery.
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Na avaliação dos autores da ação, essas mudanças poderiam se tornar irreversíveis caso a operação fosse considerada ilegal posteriormente. Além disso, a concentração de ativos reduziria a competição nos mercados de cinema, televisão por assinatura e streaming.
Por outro lado, a Paramount contesta as acusações. Em nota enviada à agência Reuters, a empresa afirmou que a ação interpreta de forma equivocada as leis antitruste dos Estados Unidos.
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“Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores-gerais estaduais não têm fundamento, pois os mercados que eles alegam existir e suas alegações de efeitos anticoncorrenciais não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais”, declarou um porta-voz da companhia.
A empresa ainda argumenta que um eventual atraso na conclusão do negócio poderá prejudicar trabalhadores do setor de entretenimento, que enfrentam dificuldades econômicas nos últimos anos.
Fusão enfrenta resistência dentro e fora dos EUA
Desde o anúncio da aquisição, em fevereiro, a operação passou a enfrentar uma série de obstáculos regulatórios em diferentes países.
Embora o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tenha autorizado o negócio, autoridades internacionais continuam avaliando seus impactos sobre a concorrência.
Hollywood virou de cabeça pra baixo com a negociação
A Comissão Europeia adiou sua decisão para analisar as concessões apresentadas pela Paramount, enquanto o Reino Unido informou que poderá intervir por preocupações envolvendo o mercado de streaming, televisão e mídia.
Nos Estados Unidos, estados como Califórnia, Nova York e Oregon intensificaram a ofensiva judicial para impedir a conclusão da compra. Além das autoridades, sindicatos, atores, roteiristas, exibidores e outros profissionais da indústria também manifestaram preocupação com possíveis cortes de empregos e redução no número de produções.
Se receber aprovação definitiva, a operação criará um dos maiores grupos de entretenimento do mundo, reunindo aproximadamente 200 milhões de assinantes de streaming.
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O novo conglomerado passará a controlar marcas como HBO, CNN, DC Comics, “Harry Potter”, “Game of Thrones”, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon, fortalecendo sua posição na disputa com Netflix e Disney.
Outro ponto de destaque envolve o controle editorial de importantes veículos de comunicação. Caso a fusão avance, a família Ellison, controladora da Paramount, também assumirá empresas como a CBS News. Estão ainda no pacote o tradicional programa “60 Minutes” e a CNN, ampliando sua influência no mercado de mídia e informação.
Fonte: O Fuxico









