Um Nordeste que vai além das imagens tradicionais do sertão, sem perder a força das próprias raízes. Essa é uma das propostas de Lá na Minha Terra, próxima novela das seis da Globo, que estreia em 9 de novembro. Durante a primeira coletiva de imprensa da produção, na qual o OFuxico participou, realizada nesta terça-feira, 20 de outubro, elenco e equipe destacaram como a trama pretende abordar preconceitos regionais, desigualdade social e diferentes formas de enxergar o mundo.
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Criada e escrita por Mario Teixeira, com direção artística de Allan Fiterman, a novela conecta a cidade fictícia de Lavra Seca, no sertão nordestino, à metrópole paulistana. Mais do que contrastar dois cenários, a história pretende mostrar como esses universos se influenciam e carregam conflitos que vão além das diferenças geográficas.
“A gente quer mostrar um Nordeste novo, que ainda é muito pouco visto. O Nordeste ainda sofre tanto preconceito, então a gente está mostrando o Nordeste como um polo de tecnologia importante. A gente quer mostrar uma urbanidade que poucas vezes a gente viu na nossa teledramaturgia”, afirmou Mario Teixeira.
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O autor também destacou a intenção de misturar os universos da cidade e do sertão. Assim, a produção busca ampliar a representação da região na televisão, mostrando sua diversidade para além das imagens mais conhecidas do público.
Chapada Diamantina inspira a história
A paisagem nordestina também terá papel importante na construção da novela. Durante a coletiva, Allan Fiterman falou sobre o desafio de levar essa diversidade para a tela e destacou a beleza da Chapada Diamantina, na Bahia, onde parte das cenas foi gravada.
“A Chapada Diamantina, na Bahia, é a coisa mais linda que tem. A gente ficou encantado. O sertão é plural e a gente quer trazer esse sertão plural para a novela”, declarou o diretor artístico.
Além de valorizar as paisagens, a proposta envolve mostrar diferentes realidades dentro do próprio sertão. Dessa maneira, Lavra Seca não será apenas o cenário da trama, mas também um espaço de disputas, ambições, afetos e transformações.
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Lilia Cabral destaca os conflitos da personagem
Na história, Lilia Cabral interpreta Celestina, uma mulher que carrega as marcas de suas origens e, ao mesmo tempo, busca espaço em uma realidade diferente daquela em que cresceu.
Para a atriz, a passagem entre o sertão e São Paulo representa um dos desafios da produção. A personagem não abandona o passado, mas também desenvolve novas ambições ao entrar em contato com outro universo.
“Lavra Seca nunca saiu dela, mas quando ela se viu em São Paulo, ela também quis ter o poder. Ela vai lutar com o que ela tem”, explicou Lilia.
A atriz também comentou a abordagem da violência na narrativa e destacou que a história precisa dialogar com o horário em que será exibida. Ainda assim, os conflitos emocionais e as contradições dos personagens continuarão no centro da trama.
Camila Morgado promete uma vilã imprevisível
Outro destaque da coletiva foi Camila Morgado, que dará vida a Ismália. A personagem usa dinheiro, sedução e manipulação para conseguir o que deseja, além de carregar preconceitos e uma visão individualista do mundo.
Para a atriz, o maior desafio será construir uma mulher capaz de despertar sentimentos contraditórios no público.
“Esse é o desafio de uma vilã”, resumiu Camila, ao falar sobre a expectativa de fazer com que as pessoas amem odiar Ismália e odeiem amá-la.
A personagem também se conecta a uma das discussões centrais da novela: a influência do dinheiro e dos privilégios nas relações sociais. Com isso, a produção pretende explorar como as diferenças de classe e de origem interferem nos vínculos entre os personagens.
Daniel de Oliveira fala sobre ambição e redenção
Daniel de Oliveira também abordou as contradições de seu personagem, que reconstruiu a vida em São Paulo, formou outra família e deixou para trás uma história que continua ligada às suas origens.
Segundo o ator, a ambição teve papel importante nessa trajetória. Embora o personagem tenha pensado inicialmente em voltar ou levar a família para perto dele, acabou se afastando desse propósito.
“Ele se perde nessa ambição. Ele é um vilão nesse sentido, mas quero ver como será a redenção desse personagem”, afirmou Daniel.
A trajetória coloca em discussão as consequências das escolhas individuais e a possibilidade de reparar os erros cometidos. Ao mesmo tempo, o passado permanece como uma ameaça à vida que ele construiu longe do sertão.
Elenco destaca personagens cheios de contradições
As declarações também revelaram diferentes caminhos para a construção dos personagens. Gustavo Vaz, por exemplo, explicou que procura encontrar camadas humanas até mesmo nas figuras que interpreta como vilões.
Seu personagem, Aloísio, carrega violência e valores ultrapassados, mas também busca pertencimento e afeto. Essa combinação, segundo o ator, ajuda a compreender as motivações do homem sem apagar os problemas de suas atitudes.
Já Julia Dalavia descreveu sua personagem como idealista, sonhadora e obstinada, enquanto Gabriela Loran comemorou a oportunidade de interpretar uma mulher dona das próprias vontades, diferente das personagens que já viveu.
Entre os atores mais jovens, Igor Lorenzo celebrou a estreia na Globo e destacou a experiência de contracenar com Lilia Cabral. Giulia Benite, por sua vez, contou que a transição do cinema para a novela tem sido uma oportunidade de aprendizado e crescimento profissional.
Com histórias que atravessam gerações, diferenças sociais e conflitos familiares, Lá na Minha Terra pretende unir o drama pessoal dos personagens a uma discussão mais ampla sobre identidade, preconceito e pertencimento. A novela estreia em 9 de novembro, na faixa das seis da Globo.
Fonte: O Fuxico










