Manaus (AM) – A Justiça Federal atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e aplicou uma pena de 23 anos e 10 meses de reclusão ao principal articulador de uma organização criminosa responsável por movimentar R$ 156 milhões em fraudes financeiras. A sentença também atingiu outros dois envolvidos no esquema de pirâmide financeira e lavagem de dinheiro, que operou entre 2019 e 2022 com tentáculos no Amazonas, Pará, Roraima e Rio Grande do Norte.
As investigações conjuntas, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPF) e pela Delegacia de Crimes Financeiros da Polícia Federal (PF), revelaram que o grupo atuava por meio das empresas de fachada Grupo Lótus e Amazon Pagamentos Bank Ltda. As instituições captavam recursos do público sem autorização legal do Banco Central ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Como Funcionava a Pirâmide Financeira
A organização tinha como alvo preferencial servidores públicos federais e estaduais. Os golpistas cooptavam as vítimas para que contratassem empréstimos consignados de valores elevados em bancos tradicionais e repassassem a totalidade do montante para as contas do Grupo Lótus e do Amazon Bank.
Em troca, a rede prometia assumir a quitação mensal de todas as parcelas dos consignados junto às instituições financeiras e ainda pagar rendimentos fixos atraentes aos clientes. Para dar aparência de legitimidade às operações, os operadores alegavam que o dinheiro era investido em criptomoedas, mercado Forex, opções binárias (IQ Option) e operações automatizadas de alta frequência (HFT).
No entanto, laudos periciais da PF comprovaram a inexistência de aplicações financeiras reais. O negócio funcionava como um Esquema Ponzi clássico: os rendimentos dos clientes antigos eram pagos exclusivamente com o aporte de novas vítimas — uma estrutura insustentável que desmoronou deixando rombos milionários.
Ocultação Patrimonial e Situação dos Réus
Para lavar os lucros ilícitos obtidos com os golpes, o principal réu utilizava empresas de fachada e uma rede de “laranjas” para registrar bens de altíssimo padrão em nome de terceiros. A estratégia visava blindar o patrimônio do rastreamento policial, permitindo que os operadores mantivessem rotinas de luxo com aquisições de veículos importados, lanchas e jet-skis.
Em relação à situação processual dos envolvidos:
- Dois réus: Tiveram o trânsito em julgado decretado (sem possibilidade de novos recursos) e já estão em fase final de cumprimento das penas definitivas.
- Líder do esquema: A defesa do réu condenado a 23 anos e 10 meses recorreu da sentença. Por conta da apelação pendente, a Justiça Federal determinou o desmembramento do processo para análise no Tribunal Regional Federal, arquivando a ação principal em relação aos demais sentenciados.











