O diagnóstico de linfoma não Hodgkin enfrentado pelo cantor Netinho chama a atenção para um grupo de cânceres que afetam o sistema linfático, parte importante das defesas do organismo. A doença, inicialmente identificada em 2025, voltou a preocupar em 2026, quando o artista informou que o quadro havia se tornado mais agressivo. O caso também levanta dúvidas sobre os sintomas, as possibilidades de tratamento e os fatores que influenciam a evolução desse tipo de câncer.
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De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o linfoma não Hodgkin reúne mais de 40 tipos de câncer que se originam nos linfócitos, células responsáveis por funções importantes na resposta imunológica. Embora compartilhem essa origem, os diferentes subtipos apresentam comportamentos distintos: alguns avançam lentamente, enquanto outros podem progredir de forma agressiva e exigir tratamento imediato.
Além disso, como o sistema linfático está distribuído por diversas partes do corpo, a doença pode surgir em diferentes regiões e atingir órgãos fora dos linfonodos. Embora possa afetar crianças, adolescentes e adultos, sua incidência aumenta com a idade. Por isso, identificar o subtipo por meio de exames específicos é fundamental para definir a estratégia de tratamento.
Quais são os principais sintomas do linfoma não Hodgkin?
Um dos sinais mais frequentes é o aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como gânglios ou ínguas. Eles podem aparecer como caroços geralmente indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha. Entretanto, nem todo aumento dos gânglios indica câncer, já que infecções e outras condições também podem provocar essa alteração.
Outros sintomas incluem febre persistente, suor noturno intenso, perda de peso sem explicação, coceira na pele, tosse e cansaço. Em alguns casos, a doença também provoca desconforto abdominal ou manifestações relacionadas à região do organismo afetada.
Como esses sinais podem ocorrer em diferentes problemas de saúde, a avaliação médica é essencial. Além do exame clínico, o profissional pode solicitar exames de imagem e uma biópsia para identificar a presença de células cancerígenas e determinar o tipo de linfoma.
Como funciona o tratamento?
A escolha do tratamento depende do subtipo do linfoma, da extensão da doença, da velocidade de progressão e das condições clínicas do paciente. Entre as possibilidades estão quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e terapias-alvo. Em situações específicas, os médicos também podem recomendar transplante de células-tronco hematopoéticas, conhecido popularmente como transplante de medula óssea.
Outra alternativa disponível para determinados tipos de câncer do sangue é a terapia CAR T-cell. Nesse procedimento, células de defesa do próprio paciente passam por modificações em laboratório para reconhecer e combater as células cancerígenas. Entretanto, essa estratégia não serve para todos os casos e depende de critérios clínicos específicos.
As perspectivas de resposta variam conforme o subtipo e outros fatores individuais. Segundo informações da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), as chances de cura do linfoma não Hodgkin ficam, em média, entre 60% e 70%, mas esse percentual não representa igualmente todos os tipos da doença.
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O hematologista Guilherme Duffles, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do grupo Oncologia D’Or, além de coordenador do Comitê de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), explica que o intervalo entre o tratamento inicial e uma eventual recaída também influencia o prognóstico.
“Pacientes que fizeram um tratamento de primeira linha e têm uma recaída da doença muito próximo ao término do tratamento tendem a ter uma evolução pior do que aqueles que tiveram um tempo longo de remissão e só têm uma recaída muito tempo depois”, explica o médico.
Além disso, a condição clínica do paciente interfere na escolha das terapias. Pessoas com menos comorbidades e melhores condições físicas podem tolerar tratamentos mais intensivos, embora essas abordagens também apresentem maior risco de efeitos adversos.
Linfoma não Hodgkin x linfoma de Hodgkin?
Apesar de ambos afetarem o sistema linfático, os linfomas de Hodgkin e não Hodgkin são doenças distintas. A principal diferença está nas características das células identificadas na biópsia, exame que permite estabelecer o diagnóstico e orientar o tratamento.
No linfoma de Hodgkin, os médicos identificam células características chamadas Reed-Sternberg. Já o grupo dos linfomas não Hodgkin reúne diversos subtipos, com diferenças importantes na origem celular, no comportamento e na resposta às terapias.
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A forma como a doença se espalha também pode variar. O linfoma de Hodgkin costuma apresentar um padrão de disseminação mais previsível entre grupos de linfonodos próximos. Os linfomas não Hodgkin, por sua vez, podem ter evolução lenta ou agressiva e atingir órgãos fora do sistema linfático.
Por isso, não basta identificar a presença de um linfoma: determinar exatamente qual tipo afeta o paciente é indispensável para avaliar o prognóstico e escolher a conduta mais adequada.
O que é o linfoma de Hodgkin?
O linfoma de Hodgkin também se desenvolve a partir de células do sistema linfático e costuma provocar aumento dos linfonodos. A doença pode surgir em diferentes idades, mas apresenta maior frequência entre adultos jovens e pessoas com mais de 60 anos.
Entre os sinais possíveis estão caroços indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha, febre persistente, suor noturno intenso, perda de peso sem causa aparente e cansaço. Algumas pessoas também apresentam aumento do volume abdominal, conforme a região afetada.
A confirmação depende da biópsia de um linfonodo ou de outro tecido suspeito. A análise das células permite distinguir o linfoma de Hodgkin de outras doenças e orientar a escolha do tratamento.
Netinho enfrentou retorno da doença
Netinho iniciou o tratamento contra o linfoma em 2025 e compartilhou com os fãs informações sobre sua recuperação. Naquele ano, o cantor informou que a doença havia entrado em remissão, período em que os sinais do câncer desaparecem ou diminuem significativamente.
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Em 2026, entretanto, o artista comunicou o retorno do linfoma e afirmou que o quadro havia se tornado mais agressivo. A evolução da doença voltou a mobilizar seus admiradores e colocou em evidência os desafios enfrentados por pacientes que passam por uma recaída.
É importante ressaltar que cada caso apresenta características próprias. O subtipo do linfoma, a resposta às terapias anteriores, o intervalo até uma eventual recaída e as condições clínicas do paciente influenciam as decisões médicas e as perspectivas de tratamento.
Fonte: O Fuxico









