Manaus (AM) – O interior do Amazonas volta a ocupar as manchetes por um caso que mistura poder, família e a velha prática do uso da máquina pública em benefício próprio. A Justiça Eleitoral determinou, nesta quarta-feira (27), a cassação do prefeito de Caapiranga, Matulinho Braz (União Brasil), e de seu vice, Jorge Martins (União Brasil), acusados de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024.
A decisão, assinada pelo juiz Marco Aurélio Plazzi Palis, da 6ª Zona Eleitoral de Manacapuru, expõe mais um episódio que contraria os princípios de moralidade e transparência na política local. Apesar da cassação, os gestores seguem nos cargos até que o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) julgue o recurso.
Nepotismo político e perseguições
Na mesma sentença, o magistrado declarou a inelegibilidade de Matulinho Braz e de seu tio, o ex-prefeito Tico Braz (União Brasil), por oito anos. O ex-gestor ainda foi condenado a pagar multa de R\$ 50 mil.
Segundo a Justiça, durante o período eleitoral foram realizadas contratações em massa e transferências de servidores municipais em momento proibido pela legislação, configurando o uso da máquina administrativa para favorecer a candidatura. Relatos de testemunhas reforçam a denúncia de que servidores contrários à gestão sofreram perseguições políticas e remoções arbitrárias de seus postos de trabalho. O processo menciona pelo menos 66 contratações e alterações funcionais feitas ainda na administração de Tico Braz.
O ação foi movida pela coligação Aliança Pelo Progresso de Caapiranga, encabeçada pelo candidato derrotado Francimar Ramalho (MDB), e acompanhado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
Enquanto a defesa dos cassados sustenta que as admissões tinham caráter administrativo, a sociedade observa mais um capítulo de descrédito político, onde o poder público é utilizado como moeda eleitoral. Até agora, prefeito, vice e ex-prefeito não se manifestaram.
O julgamento do TRE-AM será decisivo não apenas para o futuro político do município, mas também para mostrar se a Justiça será capaz de frear práticas históricas que enfraquecem a confiança da população na democracia.











