Morre Sérgio Cardoso, referência das artes no Amazonas, aos 72 anos

Multiartista dedicou mais de cinco décadas à cultura, com trabalhos no teatro, cinema, literatura, fotografia e artes visuais; integrante da Academia Amazonense de Letras, transformou a memória de Manaus e da Amazônia em matéria-prima de sua obra.

Manaus (AM) – O Amazonas perdeu, neste sábado (3/10), um de seus nomes importantes na produção cultural. O artista, escritor, dramaturgo e cineasta Sérgio Vieira Cardoso morreu em Manaus, aos 72 anos. Com mais de cinco décadas dedicadas à arte, ele construiu uma trajetória marcada pela diversidade de linguagens artísticas e pelo compromisso com a preservação da memória cultural amazonense. A informação foi publicada neste sábado por veículos de comunicação locais.

Nascido em Manaus, em 10 de março de 1954, Sérgio Cardoso atuou em diferentes áreas, como pintura, fotografia, cinema, literatura e dramaturgia. Também teve participação na gestão pública da cultura, com passagens por órgãos estaduais e atuação na Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, onde comandava o departamento de Difusão Cultural, segundo informações divulgadas pela imprensa. Portal Manaós.

Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ele também construiu carreira no serviço público, mas foi na arte que consolidou sua identidade. Em 2017, foi eleito para a cadeira nº 2 da Academia Amazonense de Letras, anteriormente ocupada pelo artista Moacir Andrade. Sua produção abordava temas como as desigualdades sociais, as transformações urbanas, a paisagem regional e a preservação da memória de Manaus e da Amazônia. Portal Manaós.

Teatro, literatura e a cidade imaginária de La Zone

No teatro, Sérgio Cardoso ganhou destaque com montagens premiadas no Festival de Teatro da Amazônia, entre elas A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz e Carmen de La Zone. Suas obras exploravam o imaginário popular e davam visibilidade a personagens e histórias que nem sempre encontravam espaço nas narrativas tradicionais.

Um dos elementos mais singulares de sua criação foi La Zone, uma cidade fictícia que funcionava como um espelho de Manaus. Nesse universo, o artista abordava os contrastes sociais, o cotidiano urbano, os personagens da cidade e as mudanças que atravessaram a capital amazonense. A criação se tornou um elo entre sua produção teatral, literária e visual. A Crítica.

Cinema como registro da memória amazonense

A contribuição de Sérgio Cardoso também alcançou o audiovisual. Ele roteirizou e dirigiu documentários sobre artistas e personalidades do Amazonas, entre eles Óscar Ramos, Roberto Evangelista, Joaquim Marinho, Jair Jacqmont, Hahnemann Bacelar e a pianista Jerusa Mustafa.

Em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa, seus filmes ajudaram a registrar trajetórias e histórias importantes para a cultura regional. O próprio artista defendia a necessidade de preservar e divulgar a memória de Manaus para que as novas gerações conhecessem os nomes que ajudaram a construir a história cultural do Estado. Portal da Cultura do Amazonas.

Última exposição

A produção artística permaneceu ativa até os últimos anos de vida. Em setembro de 2026, Sérgio apresentou a exposição Papers & True Graphics – Pinturas e Fotografias, no Centro Cultural Palácio da Justiça, em Manaus. A mostra reuniu pinturas, instalações fotográficas e narrativas visuais, além de incluir produções cinematográficas do artista. Academia Amazonense de Letras.

A morte de Sérgio Cardoso deixa uma lacuna na cena cultural amazonense e na Academia Amazonense de Letras. Seu legado permanece registrado em peças, livros, filmes, fotografias e obras visuais que fizeram de Manaus e da Amazônia não apenas cenários, mas temas centrais de uma produção artística construída ao longo de mais de 50 anos.

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