MPF aponta que crise do oxigênio em Manaus foi mais grave e prolongada do que números oficiais indicam

Documentos da Abin revelam déficit de oxigênio desde dezembro de 2020 e reforçam pedido de indenização de R$ 4 bilhões às vítimas
Foto: Reprodução

Manaus (AM) – O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas apresentou novos elementos em uma ação civil pública que investiga a crise de oxigênio ocorrida em Manaus durante a pandemia de Covid-19. As informações indicam que o impacto do colapso no fornecimento do insumo hospitalar foi significativamente mais grave e duradouro do que apontam os números oficiais divulgados à época.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (14/1), data que marca cinco anos da tragédia que levou o sistema de saúde da capital ao colapso, procuradores do MPF destacaram que documentos elaborados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam déficit de oxigênio desde o final de dezembro de 2020 até o fim de janeiro de 2021. Os dados sugerem que a crise não se restringiu aos dias 14 e 15 de janeiro de 2021, quando ocorreram as 33 mortes oficialmente associadas à falta do insumo.

Segundo o MPF, os relatórios da Abin — que o órgão busca obter judicialmente após tentativa frustrada pela via administrativa — são fundamentais para reduzir lacunas de informação, dimensionar o número real de vítimas e fortalecer a instrução da ação, que pede indenização de R$ 4 bilhões, além da implementação de apoio psicossocial e programas públicos voltados às famílias afetadas.

As informações já analisadas também indicam que municípios do interior do Amazonas foram atingidos pela escassez de oxigênio, ampliando o alcance da tragédia para além da capital. Para o MPF, isso reforça a tese de que os efeitos da crise foram sistêmicos e prolongados.

No campo judicial, o órgão afirma que a negativa da Abin em fornecer os relatórios compromete a apuração completa dos danos, a responsabilização civil dos envolvidos e o direito à memória e à verdade das vítimas. Os documentos devem subsidiar não apenas o pedido de reparação financeira, mas também medidas voltadas à preservação histórica do episódio e à prevenção de crises semelhantes no futuro.

A ação civil pública segue em tramitação na Justiça Federal, com atuação contínua do MPF para consolidar um quadro mais abrangente dos impactos da crise do oxigênio, considerada uma das mais graves falhas no enfrentamento da pandemia no Brasil.

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