A participação política da população com mais de 70 anos virou centro de uma mobilização nacional que une longevidade, cidadania e representatividade. Com Zezé Motta e Ary Fontoura à frente, a campanha Voto70+ quer reacender o protagonismo de um eleitorado numeroso, mas que apresentou alta abstenção nas últimas eleições.
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Promovida pela data8, referência em economia da longevidade, a iniciativa tem foco cívico e apartidário. O movimento nasce a partir de um dado que logo acendeu o alerta: segundo levantamento com base em números do Tribunal Superior Eleitoral, quase 8 milhões de brasileiros com 70 anos ou mais deixaram de votar no último pleito.
A primeira etapa da mobilização concentra esforços em um prazo decisivo: até 6 de maio. Assim sendo, esse grupo pode regularizar o título eleitoral para garantir participação em 2026.
Campanha aposta em vozes influentes
A escolha de Zezé Motta e Ary Fontoura não foi casual. Além do peso artístico, ambos dialogam diretamente com o público que a campanha quer alcançar.
No vídeo da ação, Zezé conecta memória, experiência e responsabilidade política. “Como uma mulher de 81 anos, eu tenho muita história e momentos vividos. Alguns difíceis, outros de esperança também. E tem uma coisa que eu aprendi com o tempo, quando a gente deixa de participar, alguém decide por nós.”
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Em seguida, a atriz reforça a praticidade do processo e relata sua própria experiência com a regularização digital. “Entrei no site, fiz o passo a passo. Em menos de meia hora, tudo resolvido. De casa, do celular, sem fila, sem confusão. E pensei: ‘por que estava esperando tanto tempo’?”
A fala ganha peso também pela trajetória da artista, que marcou presença não só na dramaturgia como no ativismo, especialmente desde a fundação do Movimento Negro Unificado.
Humor e crítica social entram na mensagem
Já Ary Fontoura leva para a campanha o tom bem-humorado que o aproximou de novas gerações nas redes.
“Eu preciso falar uma coisa sobre pessoas acima de 70 anos. Porque elas conseguem encaminhar mensagem de bom dia com 73 flores, 12 gifs, e um áudio de quatro minutos. Mas dizem que não conseguem mexer num simples site.”
Com ironia, ele desmonta a ideia de que barreiras digitais justificam afastamento político. “Se a gente consegue mandar corrente no WhatsApp, é claro que a gente pode regularizar o nosso título para votar.”
Na sequência, a mensagem muda de tom e ganha carga política mais direta: “É o nosso voto que pode mudar isso aí. E se informe, hein? O que não pode é reclamar depois que não der mais tempo”.
O discurso toca em um ponto central da campanha: o envelhecimento não reduz relevância política — amplia.
Geração prateada entra no debate
Por trás da mobilização está também uma tentativa de reposicionar a chamada geração prateada no debate público. Muitos desses eleitores pertencem aos Baby Boomers, grupo que atravessou mudanças históricas, participou de transformações culturais profundas e hoje segue economicamente e socialmente ativo.
Nesse contexto, a campanha questiona uma percepção ainda comum de que envelhecer significa perder influência.
Cléa Klouri, cofundadora do data8, critica esse olhar. “Seguimos operando com um modelo mental ultrapassado que associa envelhecimento à perda de protagonismo, quando a realidade aponta exatamente o contrário.”
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Ela destaca ainda que o aumento da longevidade alterou o peso desse grupo na sociedade — e, por consequência, no processo eleitoral. “A longevidade ampliou o tempo de vida, de produção, de influência e de decisão.”
Além da regularização eleitoral, a campanha quer estimular pertencimento. Mais do que votar, a proposta é recolocar esse contingente como agente ativo na definição dos rumos do país.
Ao unir urgência prática, figuras populares e discurso geracional, o Voto70+ tenta converter um dado preocupante em mobilização — e lembrar que experiência acumulada também é força política.
Fonte: O Fuxico











