Pesquisadores da UEA alertam para ar crítico em Manaus por avanço de queimadas no Amazonas e em Rondônia

Estudo aponta que correntes de vento arrastam fumaça do sul do estado e do Arco do Desmatamento; médicos alertam para surto de doenças respiratórias.

Manaus (AM) – Um levantamento detalhado conduzido por pesquisadores e meteorologistas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) revela que a drástica piora na qualidade do ar em Manaus é resultado do transporte de grandes massas de fumaça vindas do sul do Estado e de regiões de fronteira com Rondônia e o Pará. O estudo acende o alerta máximo para os impactos da estiagem e das queimadas no ecossistema urbano e na saúde pública da capital.

De acordo com o monitoramento de sensores de material particulado e dados de satélite analisados pela universidade, os focos de incêndio registrados no chamado “Arco do Desmatamento” e em municípios como Apuí, Lábrea e Humaitá são empurrados pelas correntes de vento até a Região Metropolitana de Manaus. A densa camada de neblina tóxica fica retida na atmosfera local devido às altas temperaturas e à ausência de chuvas volumosas.

Partículas Finas e Alerta Médico
A principal preocupação dos cientistas da UEA é a alta concentração de partículas finas em suspensão (PM2.5) — poluentes microscópicos capazes de ultrapassar as barreiras naturais do sistema respiratório e atingir diretamente os alvéolos pulmonares e a corrente sanguínea.

Especialistas em saúde pública reforçam que a exposição prolongada a essas substâncias eleva os riscos de crises astmáticas, bronquite, infecções respiratórias agudas e complicações cardiovasculares.

“O ar que a população da capital está respirando traz índices de poluição muito acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário exige cuidados contínuos, principalmente para grupos de risco, como crianças, idosos e cardiopatas”, alertam os pesquisadores.

Recomendações de Prevenção
Diante dos indicadores críticos registrados na rede de monitoramento, as autoridades sanitárias e os especialistas da UEA recomendam um protocolo imediato de cuidados para a população:

Uso de máscaras: Utilização de modelos PFF2/N95 ou cirúrgicas ao circular em ambientes abertos durante os picos de fumaça;

Umidificação de ambientes: Uso de umidificadores, toalhas molhadas ou bacias de água dentro de residências e locais de trabalho;

Hidratação constante: Aumento da ingestão diária de água e líquidos para proteger as mucosas;

Suspensão de exercícios ao ar livre: Redução de atividades físicas intensas em vias públicas durante os horários de maior concentração de fuligem.

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