PF cumpre mandados na Câmara Federal e investiga irregularidades em emendas parlamentares

Foto: Reprodução

Brasília (DF) – A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta-feira (12), uma operação de busca e apreensão nos corredores da Câmara dos Deputados como parte da Operação Transparência, que apura suspeitas de extorsão e outras irregularidades relacionadas à destinação de recursos de emendas parlamentares.

As equipes concentraram as ações na sala 135 do Anexo II, oficialmente denominada “assessoria da presidência”, mas conhecida internamente como a “sala do orçamento secreto”, onde teria ocorrido a articulação para liberar verbas mediante pressões, favorecimentos e suposto esquema de manipulação de emendas.

Um dos alvos da operação é Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) — ex-presidente da Câmara durante o governo Bolsonaro — e atualmente integrante da liderança do Progressistas (PP). Ela atuava diretamente na coordenação e organização das indicações de emendas, setor considerado estratégico na distribuição de recursos públicos.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu dois mandados de busca em Brasília: um dentro da própria Câmara e outro na residência de Mariângela. Um celular utilizado por ela foi apreendido.

A PF investiga um esquema que teria associado extorsão, peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção à liberação de emendas, com suspeitas de que servidores ou intermediários exigiam vantagens e pressionavam parlamentares ou prefeituras beneficiadas.

Documentos e depoimentos colhidos pela investigação indicam que Mariângela usava a sala vinculada à Presidência da Câmara desde 2022 para tratar de demandas relacionadas às emendas. O ambiente se tornou um ponto central para despacho e negociação dos recursos.

A defesa de Mariângela ainda não se manifestou. A assessoria do deputado Arthur Lira afirmou que ela não integra mais sua equipe.

A Operação Transparência segue em andamento e acontece um dia após parlamentares serem gravados, em áudio e vídeo, falando que votaram contra o governo porque o presidente Lula só teria pago 58% das emendas parlamentares. No vídeo eles ainda afirmam que se o governo pagar eles votam tudo e estaria resolvido. Novos desdobramentos são esperados nas próximas horas.

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