Prefeitura de Iranduba é multada em R$ 2,5 milhões após incêndio em lixão municipal

Fiscalização do Ipaam flagrou queima de resíduos a céu aberto um dia após fogo atingir o espaço; município já acumula sanções ambientais que superam R$ 4,5 milhões.

Iranduba (AM) – Após identificar a queima de resíduos sólidos a céu aberto no lixão municipal, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma multa de R$ 2,505 milhões à Prefeitura de Iranduba. A autuação ocorreu nesta sexta-feira (14?8), no dia seguinte ao incêndio de grandes proporções que cobriu a região metropolitana e bairros de Manaus com uma densa nuvem de fumaça.

A inspeção técnica no local, situado no ramal do Janauari, constatou a prática de queimada a céu aberto, conduta vedada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e enquadrada na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).

O município dispõe do prazo de 20 dias para efetuar o pagamento da multa, apresentar defesa administrativa ou solicitar conciliação com o órgão ambiental.

A penalidade soma-se a um histórico de sanções aplicadas pelo órgão ambiental ao município. Em 2023, a gestão municipal foi notificada a promover a adequação do espaço. Em 2024, pelo descumprimento das determinações, recebeu autuação de R$ 500 mil. Já em 2026, nova fiscalização constatou a permanência das falhas operacionais e resultou em multa de R$ 1,5 milhão por reincidência.

Relatórios de vistorias técnicas apontam que o terreno opera como vazadouro a céu aberto, com montanhas de lixo que ultrapassam quatro metros de altura dispostas diretamente sobre o solo. Os pareceres também sinalizam o escoamento sem controle de chorume e a ausência de sistemas para captação de gases e drenagem de águas pluviais, fatores que agravam o risco de combustão interna.

A situação é acompanhada pela Justiça Federal, que determinou a comprovação das obrigações de recuperação da área e a realização de novas vistorias no espaço.

Combate ao Fogo Exigiu 340 Mil Litros de Água
A operação de combate ao incêndio iniciado na quinta-feira (13) mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ao longo de dois dias. A ação contou com o emprego de 10 viaturas, 15 militares, drones, máquinas retroescavadeiras e mais de 340 mil litros de água para resfriar os focos profundos do terreno.

A fuligem e os gases decorrentes do fogo se deslocaram pela calha do Rio Negro, atingindo bairros da Zona Oeste de Manaus e gerando impactos na qualidade do ar da capital.

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