Manaus (AM) – O domingo de votação no Amazonas foi marcado por prisões, apreensão de quase R$ 1,9 milhão em dinheiro, denúncias de crimes eleitorais e problemas com urnas eletrônicas. As ocorrências mobilizaram a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e equipes da Justiça Eleitoral ao longo do primeiro turno das Eleições 2026.
O balanço foi apresentado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) durante uma coletiva de imprensa realizada neste domingo (4). Ao todo, foram registradas 23 ocorrências envolvendo urnas eletrônicas em todo o Estado. Em 14 casos, os equipamentos precisaram ser substituídos. Outros nove apresentaram problemas que foram resolvidos no próprio local por técnicos da Justiça Eleitoral.
Apesar das falhas, o TRE-AM avaliou que o número ficou dentro do esperado diante das mais de 8 mil urnas utilizadas no Amazonas. A presidente do tribunal, desembargadora Carla Reis, afirmou que a votação ocorreu dentro da normalidade nos 1.636 locais de votação espalhados pelo Estado. Enquanto a Justiça Eleitoral acompanhava o funcionamento das urnas, as forças de segurança registravam ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais. A Polícia Federal contabilizou 11 ocorrências, todas em Manaus, que resultaram na condução de 15 pessoas e em cinco prisões.
As ações também levaram à apreensão de R$ 1,887 milhão em dinheiro. Desse total, R$ 1,781 milhão foi localizado na capital. Os valores foram recolhidos durante ocorrências que estão sendo investigadas pela Polícia Federal para verificar a possível relação com crimes eleitorais. Um dos casos que chamou atenção ocorreu no interior do Estado e envolveu o ex-prefeito de Rio Preto da Eva, Anderson Souza. Ele foi conduzido pela Polícia Militar durante a votação sob suspeita de envolvimento em boca de urna, resistência e desobediência.
A movimentação das forças de segurança também chegou às estradas. A Polícia Rodoviária Federal intensificou as fiscalizações para impedir o transporte irregular de eleitores durante o primeiro turno.
Em Manaus, um ônibus com 49 passageiros foi abordado após uma denúncia de que o grupo estaria sendo transportado de maneira irregular com destino a Roraima. Segundo a PRF, os passageiros estavam sem bagagens e portavam listas com informações sobre seções eleitorais.
A situação levantou suspeitas entre os agentes, que realizaram a abordagem e conduziram os procedimentos necessários para apurar a origem e a finalidade do deslocamento. Em Roraima, outro ônibus e um veículo utilizado como apoio também foram interceptados durante as fiscalizações.
Mesmo diante das prisões, apreensões e demais ocorrências registradas ao longo do dia, o TRE-AM considerou que o processo de votação transcorreu normalmente no Estado. A Justiça Eleitoral manteve equipes de plantão para solucionar problemas técnicos e acompanhar as situações que exigiram intervenção das forças de segurança.
Em Manaus, a movimentação também exigiu uma operação especial no trânsito e no transporte coletivo. O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) reforçou o trabalho nas áreas de maior circulação para facilitar o deslocamento dos eleitores.
Ao todo, 150 ônibus foram colocados em operação durante o domingo para atender ao aumento da demanda provocado pelo primeiro turno.
O balanço apresentado pelo TRE-AM mostra que, apesar da estrutura mobilizada para garantir a votação nos 62 municípios do Amazonas, o primeiro turno também foi marcado por episódios que fugiram da rotina, com dinheiro apreendido, suspeitas de crimes eleitorais, prisões e ocorrências técnicas envolvendo as urnas.






