Qualidade do ar despenca e Manaus volta a ser encoberta por fumaça crítica nesta quarta-feira

Capital amazonense registra índice de poluição mais de duas vezes acima do nível máximo de risco; especialistas recomendam uso de máscaras e suspensão de exercícios ao ar livre.

Manaus (AM) – Manaus voltou a amanhecer encoberta por uma densa camada de fumaça nesta quarta-feira (23/9). Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (App SELVA) apontam uma severa degradação na qualidade do ar em grande parte da cidade, com diversos bairros das zonas Sul, Centro-Sul, Oeste e Leste atingindo os níveis mais alarmantes da escala: “Muito Ruim” e “Péssimo”.

O cenário mais grave foi registrado no Morro da Liberdade, na Zona Sul, onde o índice de poluição bateu impressionantes 437,4 µg/m³ — valor que supera em mais de duas vezes o limite inicial que determina a faixa “Péssima” (acima de 125 µg/m³).

Raios-X da poluição nos bairros

A contaminação por partículas finas (MP2.5) espalhou-se de forma crítica pela mancha urbana. Confira os registros do monitoramento:

Distrito Industrial / Morro da Liberdade: 437,4 (Péssimo)

Chapada / Parque Dez de Novembro: 259,8 (Péssimo)

Região do Aeroporto: 228,9 (Péssimo)

Compensa / Zona Oeste: 219,9 (Péssimo)

Aparecida / Centro: 184,0 (Péssimo)

Cachoeirinha / Educandos: 173,0 (Péssimo)

Coroado / Zona Leste: 153,2 (Muito Ruim)

Aleixo / Flores: 117,6 a 116,3 (Muito Ruim)

Pouquíssimas áreas conseguiram manter a qualidade do ar na faixa “Boa” (0 a 25 µg/m³) no momento do registro, como pontos isolados do bairro Nossa Senhora das Graças (14,1) e da transição entre Praça 14 e Cachoeirinha (22,6).

Quarta crise de fumaça em menos de um mês

Esta já é a quarta vez em menos de 30 dias que a população manauara acorda sob fortes névoas de fumaça decorrentes das queimadas e do período de estiagem na Amazônia. O quadro é agravado pelo clima extremo: a previsão para esta quarta-feira indica temperatura máxima de até 37°C e baixos índices de umidade relativa do ar.

Alertas e recomendações médicas

Médicos e especialistas alertam que a alta concentração de partículas inaláveis traz riscos imediatos à saúde, podendo desencadear e agravar crises de asma, bronquite, rinite e complicações cardiovasculares.

Para mitigar os impactos, as autoridades de saúde recomendam:

Atividades físicas: Suspender exercícios ao ar livre, sobretudo nos horários mais quentes.

Proteção individual: Uso de máscaras do tipo PFF2/N95 ao sair de casa, especialmente por idosos, crianças e portadores de comorbidades.

Hidratação: Aumentar a ingestão diária de água.

Cuidados com o ambiente: Manter cômodos internos umedecidos com o auxílio de umidificadores, toalhas molhadas ou bacias de água.

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