Manaus (AM) – A mudança na classificação indicativa da série Record Kids – Desenhos Bíblicos, exibida pela Rede Record, repercutiu na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta terça-feira (3/11). Durante a sessão plenária, vereadores criticaram a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que elevou a faixa etária recomendada para 12 anos e indicou a exibição do programa a partir das 20h na televisão aberta.
Os parlamentares questionaram os critérios utilizados na avaliação e cobraram a divulgação dos episódios ou das cenas que teriam motivado a alteração. Alguns classificaram a medida como perseguição religiosa e defenderam que a decisão seja revista.
O vereador Mitoso pediu que o Ministério da Justiça apresente os elementos que fundamentaram a nova classificação. Ele também questionou a recomendação de horário e afirmou que, se existem cenas específicas que justificam a mudança, elas precisam ser informadas.
Raiff Matos considerou a decisão injusta e incoerente e afirmou que a alteração representa perseguição à fé cristã. João Carlos também questionou a medida, lembrando que a animação é exibida há mais de duas décadas. Já Dione Carvalho defendeu a participação dos pais na formação dos filhos e o respeito às diferentes etapas do desenvolvimento infantil.
Coronel Rosses relacionou o tema à defesa dos valores familiares e cristãos. Jaildo Oliveira, por sua vez, cobrou que o Ministério da Justiça avalie outros conteúdos da televisão, como as novelas, e mencionou a liberdade de consciência e de crença prevista na Constituição Federal.
O que diz a portaria
A mudança foi estabelecida pela Portaria CGPCIND/DSPRAD/SEDIGI nº 2.272, de 28 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União no dia 29. O documento aponta quatro descritores de conteúdo: atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito.
A classificação indicativa passou de livre para não recomendada para menores de 12 anos, com recomendação de exibição a partir das 20h na TV aberta. A medida não proíbe a transmissão da animação nem impede que crianças menores assistam. A classificação funciona como orientação para pais e responsáveis. A portaria também não detalha episódios ou cenas específicas que motivaram a reclassificação.











