Seca nos rios faz naufragar insumos e força emergência em saúde em Itamarati e Eirunepé

Barco afundou no Rio Purus após bater em bancos de areia; prejuízo zera estoques de remédios e municípios pedem socorro ao Governo Federal.

Itamarati e Eirunepé (AM) – As prefeituras de Itamarati e Eirunepé, localizadas na calha do Rio Juruá e com rotas pelo Rio Purus, decretaram situação de emergência em saúde pública por um período de 180 dias. A medida extrema foi tomada após a perda total de um grande carregamento de medicamentos e insumos hospitalares essenciais que abasteceria a rede pública dos dois municípios do interior do Amazonas.

A carga foi destruída após um acidente com a embarcação regional Vovô Jovem, registrado no dia 21 de agosto, no trecho do Rio Purus. De acordo com os relatos das administrações municipais, a severa vazante e a formação de bancos de areia causaram duas perfurações no casco do barco. Com a entrada massiva de água no porão, toneladas de remédios, soros, seringas e materiais cirúrgicos foram completamente danificados.

Risco de Desabastecimento e Socorro do Ministério da Saúde
A perda da mercadoria deixou os postos e hospitais das duas cidades sob risco iminente de colapso nas assistências básicas e de urgência. Para recompor os estoques sem comprometer os orçamentos locais, os prefeitos acionaram o Ministério da Saúde em busca de repasses financeiros extraordinários.

No entanto, a liberação da verba federal ficou condicionada à decretação formal do estado de emergência. Com a publicação dos atos oficiais, os gestores têm prazo legal para levantar a extensão dos prejuízos materiais e definir a lista de itens prioritários para compra emergencial.

Gargalo Logístico no Rio Purus
Além do prejuízo financeiro, a seca severa impõe um desafio logístico para o envio das novas remessas de suprimentos médicos. A redução no volume dos rios Purus e Juruá impede a navegação de balsas e recreios de grande porte, aumentando os custos de frete e o risco de novos encalhes e naufrágios.

A Defesa Civil do Estado do Amazonas foi acionada para homologar os decretos e avaliar a inclusão dos municípios nos planos estaduais de ajuda humanitária. Enquanto os novos medicamentos não chegam, as secretarias municipais de saúde tentam remanejar insumos entre unidades para evitar a interrupção total dos atendimentos à população ribeirinha.

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